O tempo seco que tem marcado boa parte de setembro poderá não prolongar-se da mesma forma durante o último trimestre do ano. As primeiras tendências para outubro, novembro e dezembro mostram um cenário mais favorável à passagem de frentes e depressões atlânticas por Portugal. Segundo a Meteored, o modelo europeu aponta para um outubro potencialmente mais instável e para sinais ainda mais claros de precipitação acima do normal durante novembro e dezembro.
A previsão sazonal oficial do IPMA também aponta para mais chuva do que o habitual em determinadas regiões durante os próximos três meses, reforçando a possibilidade de um final de ano mais húmido do que o período que Portugal atravessa atualmente.
Outubro pode trazer as primeiras mudanças
A mudança poderá começar a tornar-se mais evidente durante outubro. Os mapas analisados pela Meteored apontam para um mês bastante dinâmico, com possibilidade de alternância entre períodos dominados pelo anticiclone e outros marcados pela passagem de frentes, depressões atlânticas ou perturbações em altitude.
Ou seja, não está previsto que outubro seja um mês de chuva contínua. O cenário apresentado é antes de maior instabilidade, com períodos secos intercalados por episódios de precipitação. O IPMA prevê uma anomalia positiva da precipitação na região Norte durante outubro, entre 5 e 10 milímetros acima do normal para o conjunto do mês.
Novembro e dezembro podem trazer ainda mais chuva
É nos dois últimos meses de 2026 que o sinal de mudança se torna mais abrangente. De acordo com o IPMA, a anomalia positiva de precipitação deverá estender-se da região Norte para o Centro, aumentando para valores entre 5 e 20 milímetros acima do normal em novembro e dezembro.
A Meteored aponta na mesma direção. Os modelos mostram atualmente uma possível circulação mais forte de oeste, uma configuração que facilita a chegada de frentes atlânticas a Portugal continental e pode resultar em chuva mais frequente. É, por isso, sobretudo durante novembro e dezembro que poderá consolidar-se um padrão mais húmido.
Mais chuva não significa necessariamente mais frio
Há um detalhe que pode surpreender. Apesar da possibilidade de mais precipitação, os últimos meses do ano podem continuar mais quentes do que o normal. Para Portugal continental, o IPMA prevê temperaturas médias entre 0,5 e 1 ºC acima do habitual em outubro e novembro. Em dezembro, a anomalia poderá aumentar para valores entre 0,5 e 1,5 ºC, sobretudo no interior.
A Meteored também identifica este cenário, associando-o a uma circulação atlântica de oeste, que pode trazer simultaneamente chuva e massas de ar relativamente amenas. Isto não impede a ocorrência de períodos de frio ou entradas pontuais de ar polar. Significa apenas que, olhando para a média de cada mês, os valores poderão ficar acima do padrão climatológico.
Açores também podem ter chuva acima do normal
O cenário não se limita ao continente. Nos Açores, o IPMA prevê precipitação acima do normal no Grupo Ocidental durante novembro, com uma anomalia entre 5 e 10 milímetros. Em dezembro, este sinal estende-se aos restantes grupos e poderá atingir 10 a 15 milímetros acima do habitual nos grupos Ocidental e Central.
Para a Madeira, por outro lado, não existe atualmente um sinal significativo de anomalia de precipitação no conjunto dos três meses analisados. Nas temperaturas, tanto Madeira como Açores apresentam igualmente tendência para valores médios superiores ao habitual durante grande parte do período.
Isto quer dizer que vem mau tempo durante três meses?
Não. Uma previsão sazonal não consegue indicar se vai chover numa determinada terça-feira, se haverá tempestades num fim de semana específico ou quanto tempo durará cada episódio. O próprio IPMA explica que estas previsões trabalham com médias mensais e probabilidades, combinando vários modelos meteorológicos internacionais. Servem para identificar tendências em relação aos valores normais, e não para antecipar o estado do tempo de cada dia.
Assim, quando os modelos mostram chuva acima da média, isso significa que o acumulado mensal poderá ser superior ao habitual. Essa precipitação pode concentrar-se em poucos episódios intensos ou distribuir-se por vários dias.
Final do ano pode contrastar com setembro
Para já, o contraste com setembro é aquilo que mais se destaca. Depois de várias semanas de calor e escassez de chuva, outubro poderá começar a abrir a porta a maior instabilidade. Novembro e dezembro apresentam atualmente um sinal ainda mais claro de precipitação acima do normal no Norte e Centro de Portugal continental.
As tendências ainda serão atualizadas à medida que cada mês se aproxima, mas o cenário atualmente desenhado aponta para um final de 2026 com mais oportunidades para a chuva regressar em força, mesmo que as temperaturas permaneçam relativamente amenas.















