Olhão prepara-se para recuperar uma das suas tradições populares mais antigas. A Feira de São Miguel regressa à cidade entre 25 e 29 de setembro, depois de cerca de uma década sem se realizar, com entrada gratuita e um programa pensado para diferentes idades.
De acordo com o portal do Município de Olhão, o recinto será instalado no Largo da Feira e contará com diversões como carrinhos de choque e roda-gigante, espaços de restauração, bancas de artesanato e comércio e a tradicional exposição de veículos. A iniciativa pretende voltar a assumir-se como ponto de encontro da população e de quem visita a cidade.
Feira não se realizava há uma década
“A Feira de São Miguel pretende recuperar uma tradição e voltar a criar um espaço de encontro para toda a comunidade, onde o comércio e a animação se cruzam com o convívio”, explica a Câmara Municipal de Olhão a propósito do regresso do evento.
No primeiro dia, 25 de setembro, as portas abrem às 18 h e a animação prolonga-se até à meia-noite. Nos quatro dias seguintes, de 26 a 29 de setembro, será possível entrar no recinto a partir das 16 h, mantendo-se igualmente o encerramento marcado para a meia-noite.
História da feira recua pelo menos a 1752
Apesar de a feira ter ganho uma nova localização e maior projeção durante o século XIX, a sua história documentada é anterior. Segundo a autarquia, existem registos da Feira de São Miguel desde o século XVIII, sendo que em 1752 passou a funcionar como feira franca.
A realização acontecia anualmente no final de setembro e atraía comerciantes e visitantes provenientes de várias localidades. A condição de feira franca contribuía para aumentar o movimento comercial e reforçou a importância do evento numa época em que estes encontros desempenhavam um papel relevante nas trocas entre diferentes comunidades.
Mudou de lugar à medida que Olhão cresceu
Nos primeiros tempos, a Feira de São Miguel realizava-se no chamado Campo da Feira. Contudo, o crescimento urbano de Olhão e as sucessivas transformações da cidade obrigaram a alterar a localização do evento ao longo da sua história.
Já durante o século XIX, a feira passou para a zona das Prainhas. Foi também nesta fase que ganhou maior expressão, consolidando-se como um momento de comércio, diversão e convívio que ultrapassava a própria população local.
Circos e carrosséis marcaram várias gerações
Durante o século XX, particularmente entre as décadas de 1960 e 1990, a Feira de São Miguel tornou-se conhecida pelas diversões que chegavam à cidade. Circos, carrosséis, carrinhos de choque e numerosas bancas faziam parte do ambiente associado à iniciativa.
Esses elementos ajudam a explicar por que razão a feira permaneceu na memória de várias gerações, mesmo depois das mudanças de localização e dos períodos em que deixou de se realizar. O regresso procura agora recuperar parte desse ambiente, juntando as diversões tradicionais a espaços dedicados à restauração, artesanato e comércio.
Regresso mantém entrada gratuita
Ao longo dos cinco dias não será necessário pagar bilhete para entrar no recinto. Quem passar pelo Largo da Feira poderá circular entre as bancas, assistir ao movimento das diversões e visitar a exposição de veículos sem qualquer custo de entrada.
Mais de 270 anos depois das primeiras referências documentadas, a Feira de São Miguel regressa assim a Olhão após uma interrupção de cerca de 10 anos. Entre 25 e 29 de setembro, a cidade recupera uma tradição que começou ligada ao comércio e que, ao longo dos séculos, acabou também por se tornar um dos seus encontros populares mais reconhecidos.















