Um reformado de 73 anos suicidou-se depois de uma alegada burla em Espanha que lhe retirou quase todas as poupanças. O caso regressa agora à atualidade porque, segundo o SUR in English, cinco arguidos vão a julgamento. De acordo com a mesma fonte, em cerca de duas semanas a conta passou de 58.278 euros para apenas 68,73 euros.
O caso remonta a 2022, mas volta agora a estar em destaque porque cinco arguidos vão sentar-se no banco dos réus em Málaga.
A vítima, identificada como Pedro, vivia na Costa del Sol, na província de Málaga.
Família associa morte à burla
Pedro foi encontrado morto a 6 de junho de 2022, menos de um mês depois de ter apresentado queixa pelo desaparecimento do dinheiro. Segundo a mesma fonte, a família acredita que o suicídio esteve diretamente relacionado com a situação em que ficou.
A acusação sustenta que Pedro ficou numa situação “muito precária” e sem capacidade para cumprir os pagamentos mensais, o que lhe terá provocado “profunda angústia pessoal”.
Conta ficou quase a zeros
De acordo com o resumo do caso citado pelo SUR in English, Pedro tinha 58.278 euros na conta. Entre 24 de abril e 10 de maio de 2022, terão sido feitas 73 operações fraudulentas com o seu cartão.
As operações incluíram levantamentos em caixas automáticas, compras em lojas e supermercados e despesas em locais de diversão noturna. No fim desse período, restavam apenas 68,73 euros.
Cartão terá sido usado sem autorização
Segundo a acusação citada, os suspeitos ter-se-ão apoderado do cartão bancário de Pedro e de um papel onde ele tinha escrito o PIN.
A forma exata como o cartão foi obtido não ficou apurada. A acusação situa a apropriação do cartão entre 18 e 24 de abril de 2022. Segundo a investigação, as operações foram feitas sem conhecimento nem autorização do titular da conta.
Polícia identificou os suspeitos
A investigação da Polícia Nacional espanhola levou inicialmente à detenção de oito pessoas em 2023, como noticiaram então a Cadena SER, a Europa Press e outros meios espanhóis.
Agora, tanto o Ministério Público como a acusação particular pediram o arquivamento da causa em relação a três delas. Assim, cinco arguidos deverão responder em tribunal. A acusação coloca três desses arguidos no centro da alegada burla: dois homens e uma mulher.
Pista num supermercado ajudou investigação
Uma das pistas decisivas surgiu num supermercado. Uma mulher pagou compras com o cartão da vítima e pediu para levar um carrinho de cortesia até ao carro. Para isso, teve de deixar os seus dados pessoais junto da funcionária, o que ajudou os investigadores a chegar a outros suspeitos.
A acusação refere ainda que dois dos arguidos terão tentado esconder parcialmente o rosto com máscaras e bonés durante várias operações, para dificultar a identificação pelas câmaras de segurança.
Arguidos arriscam penas de prisão
A Fiscalía de Málaga pede seis anos de prisão para os dois homens acusados de estafa e três anos e seis meses para a mulher.
O Ministério Público pede ainda que os dois homens indemnizem solidariamente os herdeiros legais de Pedro em 58.210 euros, valor alegadamente defraudado, acrescido de 20 mil euros por danos morais.
A acusação particular pede penas mais pesadas, que podem chegar aos oito anos de prisão para dois dos arguidos, e quer ainda levar a julgamento mais duas mulheres alegadamente ligadas ao esquema.
Caso expõe impacto das burlas bancárias
O caso ilustra como uma burla bancária pode ter consequências devastadoras, sobretudo quando afeta pessoas vulneráveis ou dependentes das poupanças de uma vida.
De acordo com o Banco de Espanha, em caso de roubo, extravio ou uso fraudulento de um cartão, o titular deve avisar imediatamente a entidade emissora para o bloquear, apresentar queixa à polícia e verificar os movimentos da conta. O regulador espanhol recomenda ainda nunca anotar o PIN junto do cartão nem levá-lo escrito na carteira, precisamente para reduzir o risco de uso indevido.















