Há uma peça escondida em muitos carros e motos que se tornou especialmente cobiçada pelos ladrões. O catalisador, instalado no sistema de escape, contém metais preciosos como platina, paládio e ródio, o que o torna valioso no mercado paralelo.
De acordo com o El Motor, site espanhol especializado em assuntos auto, as autoridades espanholas têm detetado cada vez mais roubos deste componente, num fenómeno que já levou a várias detenções. A peça é particularmente procurada porque pode ser retirada em poucos minutos e vendida pelo valor dos metais que contém ou como componente de segunda mão.
O que torna esta peça tão apetecível
O catalisador tem uma função ambiental importante: ajuda a reduzir as emissões poluentes dos veículos, transformando gases nocivos em substâncias menos prejudiciais. Para cumprir essa função, recorre a metais preciosos, nomeadamente platina, paládio e ródio. É precisamente esse conteúdo que explica o interesse dos ladrões. Segundo a mesma fonte, alguns veículos incluem catalisadores mais valiosos do que outros, o que faz com que certos modelos estejam mais expostos a este tipo de furto.
Um roubo rápido e discreto
O método usado pelos ladrões tende a repetir-se. Os assaltantes atuam geralmente durante a noite ou em zonas pouco movimentadas. Levantam o veículo, cortam a parte do escape onde se encontra o catalisador e abandonam o local em poucos minutos.
Em muitos casos, o proprietário só percebe o que aconteceu quando tenta ligar o carro no dia seguinte. O sinal mais evidente é um ruído anormalmente alto, provocado pela ausência da peça no sistema de escape.
O prejuízo pode ser elevado
O roubo do catalisador não causa apenas a perda da peça. A reparação pode envolver também danos no escape, sensores, cablagem ou outros componentes próximos. Em alguns modelos, a substituição pode ultrapassar facilmente os mil euros, dependendo da marca, da disponibilidade de peças e da extensão dos danos. Além disso, circular sem catalisador pode causar problemas mecânicos, ambientais e legais, uma vez que o veículo deixa de cumprir as condições normais de funcionamento e emissões.
Casos detetados em Espanha
O El Motor recorda um caso recente em La Rioja, onde duas pessoas foram detidas como presumíveis responsáveis pelo roubo de 103 catalisadores, avaliados em cerca de 18 mil euros. As autoridades intercetaram os suspeitos na AP-68, junto a Alagón, em Saragoça, quando transportavam 24 catalisadores escondidos em sacos. Mais recentemente, na Catalunha, os Mossos d’Esquadra divulgaram um vídeo relativo a outro caso, que terminou com três pessoas detidas.
As motos também estão na mira
Apesar de o problema ser mais associado a carros, algumas motos também podem ser alvo. Determinados modelos de motociclos incluem catalisadores com metais valiosos e tubos de escape mais acessíveis, o que facilita a ação dos ladrões. Além dos metais preciosos, partes metálicas do escape podem ser vendidas como sucata, embora por valores mais baixos. Segundo o El Motor, há ainda casos em que estas peças são revendidas em segunda mão ou usadas em modificações ilegais.
Nem os parques privados eliminam o risco
O caso relatado na Catalunha mostra que o risco não se limita à via pública. Mesmo em parques privados, os ladrões podem atuar se encontrarem condições favoráveis. Em Sabadell, uma moto estacionada num parque privado acabou por ser alvo de furto, com o caso a ser divulgado pelos Mossos d’Esquadra.
O veículo mais procurado
Um dos modelos mais visados pelos ladrões é o Toyota Prius. De acordo com o El Motor, este híbrido é especialmente apetecível porque o seu catalisador contém maior quantidade de metais preciosos do que muitos outros veículos. Essa característica tornou o Prius um dos alvos preferenciais em vários mercados, sobretudo nos Estados Unidos. Para responder ao problema, foram criados protetores específicos para o catalisador deste modelo, como o Cat Shield, desenvolvido pela MillerCAT.
Protetores podem dificultar o roubo
Instalar um escudo protetor pode ajudar a reduzir o risco de furto. Este tipo de equipamento não torna o catalisador invulnerável, mas aumenta o tempo e a dificuldade da operação, o que pode ter efeito dissuasor. Quanto mais demorado e ruidoso for o roubo, maior é o risco para os ladrões.
No caso do Toyota Prius, o protetor referido pelo El Motor é feito em alumínio e aço inoxidável, materiais escolhidos pela resistência e durabilidade. Inclui ainda parafusos antimanipulação para dificultar a remoção.
Como reduzir o risco
Há cuidados que podem ajudar, embora nenhum elimine totalmente o perigo. Estacionar em zonas iluminadas, movimentadas ou com videovigilância pode reduzir a exposição. Em garagens, a existência de controlo de acesso, câmaras e vigilância regular também pode fazer diferença. Nos carros, sobretudo nos modelos mais altos, o acesso à zona inferior pode ser mais fácil. Nas motos, correntes, alarmes e bloqueios podem aumentar a dificuldade da ação.
O que fazer se suspeitar de roubo
Se, ao ligar o veículo, ouvir um ruído muito mais forte do que o normal, deve verificar se o sistema de escape foi danificado. Em caso de suspeita, o mais prudente é não circular longas distâncias, contactar as autoridades e levar o veículo a uma oficina. Também deve informar a seguradora, caso tenha cobertura que possa abranger este tipo de dano ou furto.
No final, o catalisador é uma peça pouco visível para o condutor, mas muito visada pelos ladrões. Está escondido debaixo do veículo, mas pode desaparecer em minutos e deixar uma fatura pesada para o proprietário.
















