Acordar consciente, mas sem conseguir mexer o corpo ou falar, pode ser uma experiência assustadora. Este fenómeno chama-se paralisia do sono e, embora possa causar medo intenso, é descrito por organismos de saúde como uma situação temporária que acontece geralmente ao adormecer ou ao acordar.
Paralisia do sono pode acontecer ao adormecer ou ao acordar
A paralisia do sono ocorre quando a pessoa está consciente, mas não consegue mexer-se nem falar durante alguns segundos ou minutos. Segundo o National Health Service (NHS), serviço público de saúde do Reino Unido, este fenómeno pode acontecer no momento em que se está a adormecer ou ao acordar, desaparecendo habitualmente por si só.
Durante um episódio, a pessoa pode sentir-se totalmente acordada e perceber o que está a acontecer à sua volta, mas sem conseguir controlar o corpo. A MedlinePlus, serviço da National Library of Medicine dos Estados Unidos, descreve a paralisia do sono como uma condição em que a pessoa não consegue mover-se ou falar precisamente na transição entre o sono e a vigília.
Por que é que o corpo não responde?
A explicação está relacionada com o funcionamento normal do sono, em especial com a fase REM, período em que os sonhos são mais frequentes. Durante esta fase, os músculos ficam naturalmente mais “desligados”, o que ajuda a impedir que a pessoa reproduza fisicamente os movimentos dos sonhos.
Na paralisia do sono, essa imobilidade muscular pode manter-se durante breves instantes mesmo quando a pessoa já está consciente. É por isso que muitos relatos descrevem a sensação de a mente estar acordada, enquanto o corpo continua sem responder.
Sensação de presença no quarto pode tornar o episódio mais assustador
Além da incapacidade temporária de se mexer, algumas pessoas relatam sensação de pressão no peito, dificuldade em respirar ou a impressão de que existe alguém no quarto. O National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS), instituto norte-americano dedicado ao estudo das doenças neurológicas e dos acidentes vasculares cerebrais, refere que a paralisia do sono pode ser acompanhada por experiências vívidas, por vezes assustadoras, semelhantes a sonhos, incluindo alucinações visuais, auditivas ou táteis.
É esta combinação entre consciência, imobilidade e medo que torna o fenómeno tão marcante. Apesar disso, o NHS sublinha que a paralisia do sono não causa danos físicos e costuma terminar rapidamente, embora possa ser angustiante para quem a vive.
Falta de sono e stress podem aumentar o risco
A paralisia do sono pode surgir de forma isolada, mas há fatores que parecem favorecer os episódios. O NHS associa o fenómeno a situações como insónia, alterações nos padrões de sono, stress pós-traumático e narcolepsia, uma perturbação neurológica do sono.
Segundo a MedlinePlus, a paralisia do sono pode ocorrer em pessoas saudáveis, mas pode estar ligada a falta de sono, horários irregulares ou outros problemas do sono. Por isso, manter uma rotina de sono regular pode ajudar a reduzir a probabilidade de novos episódios.
Cuidados a ter durante um episódio de paralisia do sono
Embora seja difícil manter a calma no momento, o NHS recomenda tentar lembrar-se de que se trata de uma situação temporária e que não representa perigo físico. A instituição aconselha também a tentar mexer lentamente os olhos, os dedos das mãos ou dos pés, já que pequenos movimentos podem ajudar a terminar o episódio.
Para prevenir novos episódios, a mesma fonte sugere medidas como dormir horas suficientes, manter horários regulares, criar uma rotina relaxante antes de dormir e evitar refeições pesadas, álcool, cafeína ou tabaco pouco antes de se deitar.
Quando deve procurar ajuda médica?
Na maioria dos casos, episódios ocasionais de paralisia do sono não exigem tratamento. Ainda assim, se forem frequentes, muito perturbadores ou se estiverem associados a sonolência intensa durante o dia, pode ser importante falar com um médico para perceber se existe outra condição associada.
A paralisia do sono pode assustar, mas compreender o que acontece ao corpo ajuda a reduzir o medo. Quando o fenómeno se repete com frequência ou interfere com o descanso, a avaliação médica pode ser a melhor forma de identificar causas e melhorar a qualidade do sono.
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