O funcionamento das urgências de obstetrícia continua a levantar dúvidas em várias regiões do país, sobretudo em períodos de contingência ou encerramento temporário de serviços. Nos últimos meses, os condicionamentos em algumas maternidades têm obrigado grávidas a deslocações mais longas e a contactos prévios com linhas de triagem antes de seguirem para uma unidade hospitalar.
De acordo com o Correio da Manhã, uma mulher de 37 anos, grávida de 40 semanas, viu recusado o atendimento no Hospital de Faro na passada sexta-feira, 22 de maio, por não ter contactado previamente a linha SNS 24. A grávida já se encontrava em trabalho de parto quando chegou à unidade de saúde.
Uma deslocação que acabou noutra cidade
Perante a recusa de admissão, a mulher acabou por contactar o 112 à porta do hospital. Segundo a mesma fonte, foi posteriormente avaliada por uma equipa do INEM e transportada de ambulância para o Hospital de Portimão.
A deslocação obrigou a percorrer cerca de 70 quilómetros. Escreve o jornal que o bloco de partos do Hospital de Faro estava encerrado no momento em que a grávida chegou à unidade algarvia.
Hospital estava em contingência
A Unidade Local de Saúde do Algarve explicou que a urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Faro se encontrava em nível de contingência 2 na altura dos factos. Conforme a mesma fonte, essa situação já tinha sido comunicada às entidades competentes e estava disponível para consulta online no portal do SNS.
A administração da ULS acrescentou ainda que, naquele período, os meios disponíveis estavam reservados a situações classificadas como urgentes ou de risco elevado para mãe e bebé. Refere a mesma fonte que a grávida se deslocou ao hospital pelos próprios meios e sem referenciação prévia.
Importância do contacto prévio
Segundo a administração hospitalar, um contacto prévio com o SNS 24 ou com o INEM teria permitido encaminhar diretamente a utente para a unidade considerada adequada naquele momento. A publicação acrescenta que o hospital entende que todos os intervenientes teriam sido informados da situação de contingência caso essa chamada tivesse sido feita antes da deslocação.
O caso volta a colocar em evidência o modelo de referenciação atualmente aplicado em algumas urgências de obstetrícia, sobretudo nos períodos em que existem limitações operacionais ou encerramentos temporários de blocos de partos.
Administração garante que “o sistema funcionou”
Ao Correio da Manhã, o Conselho de Administração da ULS do Algarve defendeu que o processo decorreu de forma adequada e dentro dos critérios definidos para aquele contexto. Segundo a mesma fonte, os recursos existentes estavam reservados a situações consideradas potencialmente graves.
A administração sublinhou ainda que os meios não deveriam ser utilizados em situações que não apresentassem risco imediato, sob pena de comprometer o atendimento de eventuais emergências obstétricas mais graves.
Caso está a ser analisado
Apesar da posição assumida pela ULS, o episódio está agora a ser analisado internamente. Escreve o jornal que a entidade garante estar a avaliar o caso “de forma rigorosa”.
A unidade hospitalar refere também que a atuação das equipas envolvidas permitiu assegurar a segurança da mãe e do bebé durante todo o processo, desde o contacto com o INEM até ao encaminhamento para Portimão.
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