Um casal de turistas estrangeiros descreveu a passagem por Portugal como “horrível” e garante que nunca mais voltará ao país. A experiência, vivida na cidade do Porto, ficou marcada por multidões, longas filas e calor intenso, um cenário que transformou o entusiasmo inicial numa verdadeira desilusão.
De acordo com o relato partilhado pela viajante ao jornal regional norte-americano The Alpena News, o casal tinha regressado de Portugal depois da segunda grande viagem do ano e esperava uma escapadinha tranquila. No entanto, encontrou uma cidade sobrelotada, com ruas cheias de visitantes e filas intermináveis para aceder a monumentos e cafés. “Estávamos comprimidos entre milhares de turistas, sob um sol escaldante. Foi horrível”, afirmou.
Impacto do turismo em massa
O fenómeno de “sobreturismo”, que tem vindo a afetar cidades como Barcelona, Veneza ou Dubrovnik, também está a deixar marcas em destinos portugueses como o Porto e Lisboa. A popularidade nas redes sociais e a crescente exposição em plataformas como o TikTok têm atraído fluxos de visitantes muito acima da capacidade de acolhimento das cidades, refere a mesma fonte.
De acordo com o artigo, o Porto, promovido como alternativa à capital, tornou-se um caso de sucesso turístico que começa a enfrentar as consequências da própria fama. As paisagens icónicas da Ribeira e da Ponte Luís I estão hoje entre os locais mais partilhados nas redes sociais, mas também entre os mais congestionados.
A pressão turística tem alterado o dia a dia local e reduzido o espaço de convivência entre visitantes e residentes. “Os turistas procuram uma experiência autêntica, mas acabam por ser engolidos pela multidão e por filas intermináveis”, refere o texto.
Redes sociais e turismo “de selfie”
O The Alpena News destaca ainda o papel das redes sociais no crescimento do turismo descontrolado. Listas de “lugares imperdíveis” e influenciadores digitais que publicam fotografias em locais emblemáticos estão a transformar viagens em experiências encenadas.
O artigo menciona exemplos de outros destinos afetados por este fenómeno, como Veneza, que enfrentou protestos durante o casamento do empresário Jeff Bezos, ou a vila inglesa de Bourton-on-the-Water, onde os chamados “turistas do TikTok” são acusados de ignorar a herança local em busca da fotografia perfeita.
Debates sobre sustentabilidade e medidas restritivas
Alguns países europeus têm tentado travar o turismo em massa através de taxas adicionais ou limitações de acesso. Roma, por exemplo, proibiu sentar-se na Escadaria de Espanha ou entrar nas fontes históricas, enquanto outras cidades estudam restrições semelhantes, segundo aponta a mesma fonte.
Na Eslovénia, Itália e Espanha, discute-se a necessidade de reorientar o turismo para zonas menos exploradas, preservando a autenticidade dos centros históricos. Portugal tem promovido destinos alternativos fora de Lisboa, mas enfrenta agora o desafio de equilibrar a economia turística com o bem-estar das populações locais.
Porto no centro da discussão
O testemunho deste casal de turistas que visitou o Porto é apenas um exemplo de um problema crescente em várias cidades europeias. Apesar de o turismo ser essencial para a economia, a saturação em determinados períodos está a afetar a experiência dos visitantes e o quotidiano dos residentes.
A cidade, que continua entre os destinos mais procurados do continente, enfrenta o dilema comum a muitos centros históricos europeus: manter a sua identidade cultural e qualidade de vida, sem afastar os viajantes que procuram precisamente esse encanto.
Como curiosidade, o termo “sobreturismo” ganhou força na última década para descrever destinos onde o número de visitantes começa a comprometer a vida dos residentes, a preservação do património e a própria experiência turística.
Leia também: Recebeu este aviso das Finanças? Tem até esta data para pagar e deixar passar o prazo pode ‘sair caro’















