Depois da passagem da frente fria que marcou o final de setembro, Portugal continental deverá ter um início de outubro mais tranquilo. A estabilidade, contudo, poderá ser de curta duração, uma vez que os modelos meteorológicos apontam para o regresso da chuva e das trovoadas nos dias seguintes.
Segundo uma análise do especialista Alfredo Graça publicada esta quarta-feira pela Meteored, a instabilidade deverá começar a aumentar entre sexta-feira, 2 de outubro, e segunda-feira, dia 5, com aguaceiros irregulares e possibilidade de trovoada.
Para sexta-feira, 2, e sábado, 3 de outubro, a previsão aponta para céu mais carregado e condições novamente favoráveis à ocorrência de aguaceiros. Segundo a Meteored, estes episódios deverão ter uma distribuição bastante irregular. Isto significa que pode chover com intensidade numa localidade e, poucos quilómetros ao lado, praticamente não cair precipitação.
Os mapas disponíveis apontam atualmente para as regiões do interior como algumas das mais expostas, embora não seja possível excluir aguaceiros ou trovoadas em zonas do litoral.
A maior novidade pode chegar no domingo
É a partir de domingo, 4 de outubro, que surge o fenómeno mais relevante desta previsão. O modelo europeu ECMWF prevê a entrada de ar frio nos níveis mais altos da atmosfera sobre o noroeste da Península Ibérica. Essa bolsa de ar frio poderá separar-se da corrente de jato e formar uma depressão isolada em altitude, vulgarmente conhecida como “gota fria”.
Nas simulações atuais, o sistema deverá posicionar-se a oeste de Portugal continental. O modelo norte-americano GFS apresenta um cenário semelhante, coincidindo igualmente na formação desta bolsa de ar frio durante o domingo.
Afinal, o que é uma ‘gota fria’?
O nome pode parecer alarmante, mas não significa necessariamente que esteja a caminho uma tempestade severa. Uma gota fria é, de forma simples, uma bolsa de ar frio que se isola nas camadas superiores da atmosfera depois de se separar da corrente de jato.
Quando existe ar frio em altitude e condições favoráveis junto à superfície, podem formar-se nuvens de grande desenvolvimento vertical, provocando aguaceiros fortes e trovoadas de forma muito localizada. É precisamente essa irregularidade que torna estes sistemas particularmente difíceis de prever.
Domingo e segunda-feira são os dias a acompanhar
Caso o cenário atualmente previsto se confirme, a instabilidade poderá ganhar expressão durante domingo, dia 4, e segunda-feira, dia 5 de outubro. A Meteored considera possíveis aguaceiros e trovoadas irregulares, sobretudo durante a tarde de ambos os dias. As regiões Norte e Centro aparecem, nesta fase, como aquelas onde existe maior probabilidade de ocorrência deste tipo de precipitação.
Isso não significa, contudo, que vá chover durante todo o domingo ou toda a segunda-feira. O cenário mais provável é de alternância entre períodos de abertas, aumento da nebulosidade e aguaceiros localizados, podendo algumas zonas não receber praticamente precipitação enquanto outras registam episódios mais intensos.
Pequena mudança pode alterar completamente a previsão
Este é também o principal ponto de incerteza. Segundo a Meteored, qualquer alteração relativamente pequena na posição da gota fria poderá mudar de forma importante as regiões afetadas, a intensidade dos aguaceiros e até a quantidade de chuva prevista.
Estes sistemas são particularmente difíceis de prever precisamente porque podem deslocar-se de forma diferente daquela que os modelos antecipam com vários dias de antecedência. Por isso, embora os principais modelos coincidam atualmente na formação da depressão em altitude, ainda é cedo para indicar com segurança quais os distritos onde choverá mais.
Outubro começa com tempo muito variável
O primeiro fim de semana de outubro poderá, assim, marcar uma mudança rápida depois de uma quinta-feira relativamente tranquila. Sexta-feira e sábado trazem já risco de aguaceiros e trovoadas, enquanto domingo e segunda-feira deverão ser os dias a acompanhar com maior atenção devido à possível formação desta depressão isolada a oeste de Portugal.
A evolução da gota fria será determinante para perceber se o episódio se traduz apenas em aguaceiros dispersos ou se algumas regiões poderão receber chuva e trovoadas com maior intensidade.
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