Por volta de 5.600 ac., comunidades de agricultores iniciais expandem-se da Anatólia por toda a Europa e atingem a Península Ibérica rapidamente seguindo diferentes percursos, por via marítima ou terrestre, instalando-se primeiro no Algarve e pouco depois na Estremadura, estabelecendo‑se nos territórios desocupados ou muito marginalmente explorados pelas comunidades indígenas, ocupando as mesmas cavernas, mas iniciando um novo modo de produção baseado na agricultura e na pastorícia.
Não obstante a coexistência, por vários séculos de dois sistemas económicos distintos, em assentamentos separados, embora percorressem os mesmos trajetos, os locais mostram uma manutenção do estilo de vida predador: a nível do povoamento, dos utensílios, dos padrões de mobilidade e de subsistência, o que mostra que as suas estratégias de vida são suficientemente adequadas à sua relação com o ambiente e obtenção dos recursos por ele disponibilizados.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
O contacto que se estabelece ao longo de mais de mil anos entre colonos agricultores iniciais e caçadores-coletores e o conhecimento que vão ganhando das respetivas culturas, leva a que agro-pastorícia se imponha, complementada por alguma caça, pesca e marisqueio e, lentamente ocorre a aculturação e posteriormente, a mistura com os caçadores-coletores locais.
A agricultura fomenta assentamentos permanentes, instalações para armazenamento dos produtos e guarda dos animais domésticos, sem prejuízo de continuar a haver apoios temporários para a caça. Se inicialmente ocuparam cavernas, o desenvolvimento desta cultura regista uma movimentação para o “interior”, a uma distância de cerca de 7-10 km da costa o que representa o desenvolvimento de economias fundamentalmente terrestres e gradualmente surgem estruturas habitacionais em madeira, paredes em argila, silos escavados na rocha, lareiras e chãos empedrados, embora, outros sítios correspondam a instalações de curta duração para armazenamento em grutas, ou apoios precários para oficinas de produção de materiais, como talhe, fornos ou cerâmica.
A maior produção de alimento permitiu o crescimento populacional, a transformação dos assentamentos em povoações, o comércio e a consequente troca cultural com outras populações, um início de complexidade social e o desenvolvimento tecnológico com o aparecimento de carroças e a mineração do cobre.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Almendres_Cromlech,_2014,_Evora,_Portugal.jpg
O território passa a ser parte da tribo, que leva ao conceito de comunidade e a sua diferenciação de outras comunidades vizinhas. Os enterramentos passam a ser coletivos e os antepassados constituem parte da comunidade, legitimando a pertença dos vivos à comunidade: são membros da comunidade os que residem na terra dos antepassados. Os monumentos megalíticos, funerários ou astrológicos, como, dólmens, antas, cromeleques e menires, fazem sentido numa comunidade que não muda de local e que passa a ver nos antepassados parte da sua identidade presente. Estas comunidades estabeleceram redes de comunicação através das quais circulavam objetos, pessoas e novos elementos culturais. A expansão do modo de produção agropastoril fomentou o crescimento demográfico e consequentemente urbano, a procura de novos espaços agrícolas para o interior e o surgimento de novos assentamentos, gradualmente ocupando a totalidade do território, embora as áreas litorais continuem a ser exploradas complementarmente.
São bastantes os sítios do Neolítico do Algarve, praticamente a barlavento, nomeadamente, Alcalar, Algarão da Goldra, Barranco das Quebradas, Castelejo, Castelo Belinho, Vale Santo, Cabranosa, Padrão, Gruta de Ibn Amar, Areias das Almas, Caramujeira, Ribeira de Alcantarilha. Embora se identifique um sítio Megalítico em Alcoutim (Menires do Lavajo) e outros em Cachopo (Antas da Masmorra e das Pedras Altas), a falta de investimento e ausência de uma política de investigação sobre o património histórico não permitem evidenciar o que poderá ter sido a ocupação neolítica de uma região de solos agrícolas tão ricos.
Assim como em outros povos do Sul da Europa, a principal ancestralidade genética dos povos ibéricos é a dos agricultores anatólios, que introduziram a pele clara na península.
Leia também: História de Tavira: As origens – Parte 1 | Por José Manuel do Carmo















