Quem vai fazer o exame de condução pode, no futuro, encontrar um processo muito mais controlado. A Associação Nacional de Escolas de Condução Automóvel (ANIECA) defende a monitorização das provas para reduzir diferenças na avaliação dos candidatos.
A proposta permitiria acompanhar vários momentos do exame, desde a identificação do candidato até ao local onde começa e termina a prova.
“A monitorização vai acabar com as cunhas”
António Pinto Reis, presidente da ANIECA, considera que este sistema permitiria reduzir a margem de decisão individual durante os exames.
“A monitorização vai acabar com as cunhas, vai acabar com o livre-arbítrio do examinador”, afirmou o responsável, citado pelo ECO.
Segundo a associação, existem atualmente diferenças entre os vários locais onde os exames são realizados, situação que considera prejudicial para a uniformidade e credibilidade das avaliações.
ANIECA fala no “exame de boa hora”
Entre as situações apontadas pela associação encontra-se aquilo a que chama o “exame de boa hora”.
A expressão refere-se a situações em que determinados candidatos poderão encontrar condições mais favoráveis durante a realização da prova.
A ANIECA questiona também a duração de alguns exames. Há provas para as quais está previsto um período de 50 minutos, mas a associação sustenta que esse tempo nem sempre é cumprido.
Sistema poderia acompanhar exame do início ao fim
A solução defendida passaria por aplicar aos exames um sistema semelhante ao que já é utilizado para controlar as aulas de condução.
Seria possível identificar o candidato, registar o local onde começa a prova, acompanhar a respetiva duração e determinar o momento em que termina.
O objetivo seria tornar os exames mais uniformes, permitindo verificar posteriormente se foram cumpridas as condições previstas para a avaliação.
Proposta não é nova
A monitorização dos exames ainda não está em vigor e, nesta fase, trata-se de uma reivindicação apresentada pela ANIECA.
Segundo António Pinto Reis, a implementação de um sistema deste género terá sido prometida pelo Governo em 2014, mas continua por concretizar.
A associação considera que uma avaliação mais rigorosa das competências dos candidatos pode também contribuir para a segurança rodoviária.
Para a ANIECA, fiscalização e campanhas de sensibilização são importantes, mas devem ser acompanhadas por uma formação adequada e por exames realizados segundo critérios tão uniformes quanto possível.
A discussão surge numa altura em que o processo de aprendizagem para obter a categoria B sofreu alterações, nomeadamente com a possibilidade de parte do ensino prático ser realizado através do regime de condução acompanhada por tutor, desde que sejam cumpridos os requisitos previstos na lei.
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