A Rússia tem vindo a preparar uma nova classe de submarinos nucleares para transportar o Poseidon, um torpedo autónomo de grande alcance capaz de levar uma ogiva nuclear. Conhecido como “Arma do Apocalipse”, este sistema foi anunciado por Vladimir Putin em 2018 e encontra-se há vários anos em desenvolvimento e testes.
O submarino nuclear russo Khabarovsk, preparado para transportar os torpedos Poseidon, conhecidos como “Arma do Apocalipse”, terá navegado pela primeira vez no dia 17 de agosto. De acordo com o jornal norueguês independente The Barents Observer, a embarcação encontra-se a realizar testes de mar no Mar Branco.
Primeira viagem ainda não foi confirmada oficialmente
A saída do submarino foi inicialmente divulgada por vários blogues militares russos, entre os quais o Military Review e o Amalnews Military. Até ao momento, porém, o estaleiro naval Sevmash e os meios de comunicação estatais russos não publicaram qualquer confirmação oficial sobre a viagem.
O Khabarovsk é o primeiro de três submarinos de uma nova classe preparada para transportar o Poseidon, um veículo submarino autónomo equipado com propulsão e ogiva nucleares.
Projeto aproveita características da classe Borei
O desenho do novo submarino baseia-se no casco das embarcações da classe Borei, utilizadas pela Rússia para transportar mísseis balísticos. No entanto, o Khabarovsk é consideravelmente mais curto, uma vez que não possui a secção destinada a esses mísseis.
A construção começou em julho de 2014, quatro anos antes de Vladimir Putin ter anunciado publicamente que os engenheiros russos estavam a desenvolver um veículo submarino não tripulado, com capacidade para atravessar os oceanos Atlântico ou Pacífico e atingir alvos costeiros.
Poseidon é descrito como arma de segundo ataque
O Poseidon foi concebido como uma arma de retaliação, destinada a ser utilizada depois da fase inicial de um eventual conflito nuclear. Esta característica levou vários especialistas e meios internacionais a apelidá-lo de “Arma do Apocalipse”.
Segundo as informações disponíveis, o torpedo mede cerca de 24 metros, poderá alcançar uma profundidade operacional de mil metros e terá uma autonomia próxima dos 10 mil quilómetros. Estas características poderão dificultar a sua deteção e interceção através dos meios convencionais de guerra antissubmarina.
O Khabarovsk terá capacidade para transportar seis unidades do Poseidon, embora vários dados técnicos relacionados com o submarino e com o armamento permaneçam confidenciais.
Construção acumulou vários anos de atraso
O submarino foi lançado à água no dia 1 de novembro de 2025, de acordo com uma notícia publicada pela mesma fonte nessa data. Inicialmente, estava previsto que entrasse ao serviço da Marinha russa em 2020, mas a construção sofreu atrasos cujas razões não foram divulgadas.
A segunda embarcação desta classe terá o nome de Orenburg e começou a ser construída em 2025. Não existe ainda uma data conhecida para o seu lançamento, enquanto o início da construção do terceiro submarino também não foi confirmado.
Submarino deverá integrar a Frota do Pacífico
Depois de concluídos os testes, o Khabarovsk deverá ser transferido para a Frota do Pacífico. Está a ser construída naquela região uma infraestrutura específica para receber e apoiar as operações relacionadas com os torpedos Poseidon.
A segunda unidade desta classe deverá, por sua vez, integrar a Frota do Norte. Em Severodvinsk já existe uma instalação portuária destinada a apoiar o programa, desenvolvido e testado há pelo menos uma década. Navios de superfície e o submarino Belgorod já terão transportado o Poseidon para águas abertas do Ártico durante diferentes fases de testes.
Rússia anunciou teste do Poseidon em 2025
No final de outubro do ano passado, Vladimir Putin afirmou que a Rússia tinha realizado com sucesso um teste do veículo submarino Poseidon. Segundo o presidente russo, o aparelho foi lançado a partir de um submarino com recurso ao seu motor auxiliar.
Putin acrescentou que o reator nuclear do veículo também teria sido ativado e funcionado durante determinado período. As afirmações russas sobre o teste não foram acompanhadas pela divulgação pública de dados técnicos que permitissem uma verificação independente.















