O mapa até pode sugerir tranquilidade, mas a realidade será diferente. Para esta quarta e quinta-feira, dias 27 e 28 de maio, antecipa-se uma elevada atividade elétrica em várias regiões do país, apesar de a precipitação prevista ser reduzida. O fenómeno tem nome e pode trazer riscos pouco visíveis à primeira vista.
De acordo com a Meteored, portal especializado em meteorologia e previsão do tempo, está prevista uma concentração significativa de descargas elétricas sobretudo no Norte e Centro de Portugal continental, com maior incidência nas zonas do interior. Ainda assim, os modelos apontam para acumulados de chuva pouco expressivos, uma combinação que sugere a ocorrência de trovoadas secas.
Quando o relâmpago chega antes da chuva
Uma trovoada seca caracteriza-se precisamente por isso: há relâmpagos e trovões, mas a chuva não chega ao solo. Embora as nuvens produzam precipitação, esta evapora durante a queda devido às condições da atmosfera nas camadas mais baixas.
O processo desenvolve-se com o aquecimento intenso da superfície durante o dia, típico desta altura do ano. O ar junto ao solo torna-se mais quente e sobe rapidamente, formando correntes ascendentes. À medida que sobe, encontra níveis mais húmidos da atmosfera, condensando e dando origem a nuvens de desenvolvimento vertical, associadas à trovoada. No interior dessas nuvens, colisões entre partículas de gelo geram cargas elétricas, responsáveis pelos relâmpagos.
No entanto, entre a base dessas nuvens e o solo existe frequentemente uma camada de ar muito seco e quente. É aí que a chuva se dissipa antes de chegar ao chão. Este efeito visual é conhecido como virga e pode ser observado como fios de precipitação suspensos no ar.
Norte e Centro concentram maior risco
Segundo a mesma fonte, a atividade elétrica deverá intensificar-se sobretudo durante a tarde, período em que a radiação solar é mais forte e favorece a instabilidade atmosférica. A quarta-feira, 27 de maio, poderá ser o dia mais ativo neste aspeto.
A distribuição das descargas elétricas deverá abranger distritos como Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, onde se espera maior intensidade, bem como Guarda, Viseu e Coimbra. Também há previsão de ocorrência no interior dos distritos do Porto e de Aveiro, ainda que de forma mais dispersa. Mais a sul, os fenómenos poderão surgir de forma pontual.
Um perigo silencioso nesta altura do ano
Mesmo sem chuva, o risco não deve ser subestimado. As trovoadas secas são apontadas como uma das possíveis origens de incêndios rurais, sobretudo quando os raios atingem vegetação ou solos muito secos. A ausência de precipitação impede que haja qualquer efeito de atenuação ou arrefecimento.
Além disso, as descargas elétricas continuam a representar perigo direto para as pessoas. Em espaços abertos, a exposição aumenta, sobretudo na ausência de estruturas elevadas. A proximidade de árvores isoladas pode agravar o risco, já que estas funcionam como pontos preferenciais de descarga elétrica.
A mesma fonte lembra que, nestas situações, a perceção de segurança pode ser enganadora. O facto de não chover não diminui o perigo associado às trovoadas, sobretudo quando a atividade elétrica se mantém elevada e dispersa no território.
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