Os salários continuam a pesar na decisão de procurar trabalho no estrangeiro. Dentro da União Europeia (UE), as diferenças são grandes, mas os impostos, a habitação e as despesas do dia a dia também entram nas contas.
A Dinamarca destaca-se nesta comparação. Segundo os dados do Eurostat, o salário médio anual ajustado a tempo inteiro atingiu 71.565 euros em 2024, face a 24.818 euros em Portugal.
No mesmo indicador e no mesmo ano, o valor dinamarquês correspondia a cerca de 2,9 vezes o português.
O que representam estes salários
Distribuindo os valores anuais por 12 meses, apenas para facilitar a comparação, obtêm-se aproximadamente 5.964 euros na Dinamarca e 2.068 euros em Portugal. São valores brutos de uma média estatística ajustada a trabalho a tempo inteiro, cuja metodologia é explicada pela mesma fonte. O salário de uma oferta concreta dependerá da profissão, das qualificações e das condições acordadas.
Outra diferença está na definição das remunerações. De acordo com o Ministério do Emprego dinamarquês, a Dinamarca não tem um salário mínimo nacional fixado por lei. Os salários e as condições laborais são normalmente estabelecidos por convenções coletivas ou negociados individualmente entre empregadores e trabalhadores.
Trabalhadores estrangeiros têm peso significativo
A presença de profissionais de outros países está documentada pela rede europeia de emprego EURES. Numa ficha publicada em fevereiro de 2025, com informação disponível até dezembro de 2024, a entidade estimava que os cidadãos estrangeiros representavam cerca de 12% a 13% da força de trabalho dinamarquesa, incluindo pessoas de países da UE e de fora do espaço comunitário.
O serviço público Workindenmark identifica oportunidades em engenharia, tecnologias de informação e robótica, saúde, construção, indústria, transportes e logística. A hotelaria, os serviços e as energias verdes também constam das áreas com procura de profissionais, embora os requisitos variem conforme a função e a empresa.
Salários elevados também estão sujeitos a impostos
O modelo social dinamarquês assenta numa forte participação dos impostos no financiamento dos serviços públicos. O próprio Workindenmark salienta que o país combina salários elevados com impostos elevados, que ajudam a financiar cuidados médicos, hospitais, ensino e apoio aos idosos.
Segundo a informação oficial sobre direitos laborais, a tributação depende de fatores como as condições de emprego, a residência e as deduções aplicáveis. O montante anunciado numa oferta deve, por isso, ser distinguido do valor recebido depois dos descontos.
Custo de vida está entre os mais altos da UE
Os salários precisam também de ser enquadrados pelos preços. Segundo o Eurostat, em 2025 a Dinamarca registou o nível de preços mais elevado da UE para o consumo das famílias, equivalente a 140% da média comunitária. Isto significa preços, em média, cerca de 40% superiores aos da UE.
Este indicador compara os preços dos bens e serviços consumidos pelas famílias e não está ajustado às diferenças de rendimento.
Assim, a distância entre os salários brutos dos dois países não permite, por si só, calcular a diferença na capacidade de poupança. Para isso, é necessário considerar o rendimento líquido e as despesas de cada agregado.
Semana de 37 horas é comum em muitos setores
As condições de trabalho são outro elemento relevante. De acordo com o Ministério do Emprego dinamarquês, na grande maioria das áreas a duração normal do trabalho é acordada em 37 horas semanais. O horário concreto resulta dos acordos aplicáveis, e as regras sobre horas extraordinárias devem ficar definidas no contrato.
O portal oficial Denmark.dk, da responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, destaca a importância atribuída ao equilíbrio entre emprego e vida pessoal. Refere também as cinco semanas de férias anuais e a existência de práticas de flexibilidade em algumas empresas, incluindo possibilidades de trabalho a partir de casa.
Saúde e ensino têm condições próprias de acesso
Na saúde, o portal público Lifeindenmark explica que o sistema disponibiliza consultas de medicina geral, atendimento nas urgências e tratamento em hospitais públicos sem pagamento direto pelos beneficiários. O acesso exige o enquadramento no sistema e o respetivo registo, com emissão do cartão de saúde.
No ensino superior, o portal oficial Study in Denmark confirma a gratuitidade das propinas para estudantes da UE, do Espaço Económico Europeu e da Suíça. Esta condição abrange os portugueses, embora continuem a existir despesas com alojamento, alimentação, transportes e outros custos associados à frequência de um curso.
Língua pode fazer diferença na integração
O inglês permite concorrer a várias oportunidades internacionais, mas o dinamarquês continua a ser necessário em determinadas funções. Na área da saúde, por exemplo, o Workindenmark esclarece que muitas funções exigem um domínio elevado da língua, devido à comunicação com os doentes, embora possa existir formação linguística associada ao contrato.
Existem também programas municipais de aprendizagem. A Câmara Municipal de Copenhaga disponibiliza cursos de dinamarquês a residentes elegíveis e explica que o programa é gratuito, mas pode exigir uma caução de 2.000 coroas dinamarquesas, aproximadamente 267,57 euros.
O reembolso depende do cumprimento das condições comunicadas pelo centro de formação.
















