As grandes obras de engenharia têm vindo a mudar a forma como milhões de pessoas se deslocam entre cidades, sobretudo em regiões onde o mar, os rios e a distância sempre dificultaram as ligações rápidas. Na Ásia, esta ponte, que é a mais longa do mundo, é uma dessas infraestruturas, tendo-se tornado símbolo dessa transformação, ao aproximar importantes centros urbanos e ao reforçar uma das zonas económicas mais estratégicas da China.
A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau atravessa o Delta do Rio das Pérolas e detém o recorde de maior travessia marítima alguma vez construída. Com cerca de 55 quilómetros, liga Hong Kong, Zhuhai e Macau, no sul da China, e demorou nove anos a ser construída, com um custo aproximado de 15 mil milhões de libras, cerca de 17,4 mil milhões de euros, de acordo com o jornal britânico The Mirror.
Viagem ficou muito mais curta
Antes da construção desta ligação, a deslocação entre estas cidades dependia sobretudo de ferries ou de percursos mais demorados. Com a nova travessia, uma viagem que podia demorar cerca de uma hora por barco passou a poder ser feita de carro em aproximadamente 40 minutos.
A ponte faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar as ligações de transporte na Grande Baía, uma região que o Governo chinês tem procurado desenvolver como um importante polo económico. Ao aproximar Hong Kong e Macau das cidades da província de Guangdong, a infraestrutura pretende facilitar o comércio, a circulação de pessoas e a integração regional.
Uma obra feita sobre mar aberto
A travessia não é composta apenas por uma ponte contínua. A estrutura inclui pontes de grande vão, ilhas artificiais, túneis e estradas de ligação, formando um sistema complexo adaptado a uma das zonas marítimas mais movimentadas da China.
A secção principal inclui três pontes sobre canais de navegação, conhecidas como Jiuzhou, Jianghai e Qingzhou. Estas estruturas foram projetadas para permitir a passagem de navios de grande porte, sem interromper uma área essencial para o transporte marítimo na região, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Engenharia pensada para resistir
Esta construção obrigou os engenheiros a enfrentar condições difíceis, incluindo tufões frequentes, ventos fortes e um ambiente marítimo exigente. Estes fatores tornaram o projeto mais complexo, tanto ao nível da segurança como da durabilidade da estrutura.
A ponte utiliza pilares de coluna única cravados no fundo do mar, uma solução pensada para reduzir a interferência no fluxo da água e limitar o impacto sobre a vida marinha. Entre as espécies protegidas nesta zona está o golfinho-branco-chinês, um dos animais mais emblemáticos do Delta do Rio das Pérolas.
Torres com desenho próprio
As três pontes principais usam estruturas suportadas por cabos e cada uma tem torres com um desenho distinto. A intenção foi criar uma imagem uniforme, mas com elementos visuais diferentes, tendo em conta que a travessia é vista a partir de terra, do mar e do ar.
A ponte Jiuzhou manteve as suas torres em forma de vela, mesmo depois de alterações feitas durante a fase de desenho detalhado. Este tipo de opção arquitetónica ajudou a dar à travessia uma identidade própria, para lá da sua função prática.
Ligações além da ponte
O projeto envolveu também várias infraestruturas complementares, incluindo instalações fronteiriças, estradas de acesso e ligações rodoviárias em Hong Kong e Macau. A consultora de engenharia Arup participou em diferentes fases do plano, desde estudos preliminares até ao desenvolvimento de ilhas artificiais, túneis e acessos, de acordo com o The Mirror.
Entre as obras associadas está a ligação Tuen Mun-Chek Lap Kok, que ajuda a integrar a ponte na rede de transportes da região. Estas ligações são essenciais para que a travessia funcione não apenas como uma obra isolada, mas como parte de um sistema de mobilidade mais amplo.
Desde a inauguração, a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau tornou-se uma rota importante no sul da China. Mais do que um recorde de engenharia, a infraestrutura mostra a aposta chinesa em grandes projetos de transporte e na criação de ligações mais rápidas entre centros urbanos com elevado peso económico.
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