O país vizinho prepara-se para endurecer as regras de circulação para veículos com etiqueta ambiental B, com novas restrições previstas para entrar em vigor a partir de 2028 em várias zonas urbanas, afetando milhões de condutores. A medida surge em Espanha no âmbito de uma estratégia mais ampla de mobilidade e qualidade do ar, com impacto direto nas chamadas Zonas de Baixas Emissões, que têm vindo a ser implementadas em várias cidades espanholas.
De acordo com o portal de notícias do mundo automóvel, Autopista, o Conselho da Área Metropolitana de Barcelona aprovou o Plano de Mobilidade Urbana 2025-2030, que prevê limitar a circulação destes veículos em dezenas de municípios. Segundo a mesma fonte, as restrições deverão ser aplicadas de forma abrangente a partir de 2028, com o objetivo de reduzir progressivamente a presença de motores de combustão até ao final da década.
Milhões de veículos abrangidos pela medida
A etiqueta B abrange uma parte significativa do parque automóvel espanhol. Cerca de 9,5 milhões de veículos têm este selo, representando aproximadamente 31,5% do total. Acrescenta a publicação que, numa primeira fase, as limitações deverão afetar uma fatia relevante destes veículos, sobretudo em áreas metropolitanas densamente povoadas.
A Área Metropolitana de Barcelona, composta por 37 municípios, surge como uma das principais regiões na aplicação destas medidas. Todos estes territórios deverão avançar com limitações à circulação. Refere a mesma fonte que nem todos os municípios estão obrigados a implementar Zonas de Baixas Emissões, mas ainda assim integram o plano de restrições aprovado.
Aplicação dependerá de decisões locais
Apesar da aprovação do plano, a implementação concreta ficará nas mãos das autarquias. Os municípios terão agora de validar e calendarizar as restrições. A proximidade das eleições municipais de 2027 poderá adiar decisões mais imediatas, tendo em conta a sensibilidade política da medida.
Algumas cidades espanholas já aplicam ou anunciaram restrições a veículos com etiqueta B. Segundo a mesma fonte, Madrid, Málaga, Bilbao ou Palma de Maiorca estão entre os exemplos. Este movimento deverá alargar-se a mais 37 municípios, reforçando a tendência de restrições progressivas à circulação automóvel.
Objetivo passa por reduzir emissões e tráfego
O plano integra metas mais amplas relacionadas com mobilidade sustentável. Está ainda prevista uma redução do uso do automóvel privado em cerca de 10%. Acrescenta a publicação que também se pretende diminuir emissões, ruído e congestionamento, além de promover transportes públicos e modos ativos de deslocação.
As previsões apontam para uma redução significativa da circulação destes veículos. Em cerca de um ano e meio, quase 17% dos automóveis e motos poderão deixar de circular nesta área. Refere a mesma fonte que esta transição faz parte de uma estratégia gradual até 2030.
Medida surge em contexto de contestação
O anúncio destas restrições coincide com um período de debate sobre as Zonas de Baixas Emissões. De acordo com o Autopista, existem decisões judiciais recentes que colocam em causa algumas destas medidas em Espanha. Tribunais anularam regulamentos em cidades como Madrid e Guadalajara, apontando falhas formais na implementação.
A discussão sobre estas zonas não se limita a Espanha. Em França, por exemplo, foi aprovada uma proposta para eliminar estas áreas, com argumentos relacionados com desigualdades sociais. Este contexto europeu contribui para intensificar o debate sobre o futuro das restrições à circulação automóvel.
A classificação ambiental em causa aplica-se a veículos específicos. Segundo a mesma fonte, inclui carros a gasolina matriculados a partir de 2001 e veículos a gasóleo entre 2006 e 2013. Estes veículos, embora não sejam os mais poluentes, passam agora a integrar o grupo alvo de restrições mais abrangentes.
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