Com a chegada dos dias mais quentes, o ar condicionado volta a ser usado com frequência em muitas casas. No entanto, há um erro muito comum que pode estar a aumentar a fatura da luz sem trazer mais conforto: colocar o aparelho numa temperatura demasiado baixa, na esperança de arrefecer a divisão mais rapidamente.
De acordo com o portal Diario de Leon, o alerta tem sido reforçado por entidades ligadas à eficiência energética, incluindo a Comissão Europeia e o Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia, conhecido como IDAE, em Espanha. A recomendação é clara: no verão, o termóstato deve ficar, sempre que possível, entre os 24 ºC e os 26 ºC.
O problema é que muitos consumidores continuam a acreditar que baixar o ar condicionado para 18 ºC ou 20 ºC faz com que a casa arrefeça mais depressa. Na prática, isso não acontece. O equipamento apenas vai trabalhar durante mais tempo para tentar atingir uma temperatura mais baixa, consumindo mais eletricidade.
Mito pode sair caro no verão
A ideia de que o ar condicionado funciona “mais depressa” quando se escolhe uma temperatura muito baixa é um dos mitos mais repetidos durante os meses de calor. O aparelho não arrefece a divisão de forma instantânea por estar regulado para um valor extremo.
O tempo necessário para baixar a temperatura depende de vários fatores, como o tamanho da divisão, o isolamento da casa, a exposição solar, a potência do equipamento e a temperatura exterior. Se a casa estiver mal isolada ou muito exposta ao sol, o aparelho terá sempre mais dificuldade em criar um ambiente fresco.
Ao definir o termóstato para valores demasiado baixos, o consumidor não acelera o processo. Apenas obriga o sistema a funcionar durante mais tempo e com maior esforço, o que se traduz num aumento do consumo energético.
Cada grau a menos pesa na fatura
Segundo orientações de eficiência energética associadas à Comissão Europeia e ao IDAE, cada grau que se reduz na temperatura do ar condicionado pode representar um aumento relevante no consumo. A estimativa frequentemente apontada situa esse acréscimo entre 6% e 8% por cada grau.
Isto significa que passar de 24 ºC para 20 ºC pode ter um impacto significativo na fatura da eletricidade, especialmente em casas onde o aparelho fica ligado durante muitas horas por dia.
A diferença pode parecer pequena no comando, mas torna-se mais visível no final do mês. Em períodos de calor prolongado, o uso intensivo do ar condicionado é uma das razões que mais contribuem para o aumento do consumo doméstico.
Temperatura recomendada fica entre 24 ºC e 26 ºC
Para manter o conforto sem disparar os gastos, a recomendação passa por regular o ar condicionado entre os 24 ºC e os 26 ºC durante o verão. Esta faixa permite refrescar a casa sem obrigar o equipamento a trabalhar de forma excessiva.
A temperatura ideal pode variar consoante a habitação e a sensibilidade de cada pessoa, mas valores demasiado baixos raramente são necessários para garantir conforto. Em muitos casos, uma regulação moderada é suficiente para tornar a divisão agradável.
Além disso, uma diferença muito acentuada entre a temperatura interior e exterior pode causar desconforto quando se entra ou sai de casa, sobretudo em dias de calor intenso.
Outros erros também aumentam o consumo
A temperatura não é o único fator que influencia a fatura. Há outros hábitos simples que podem fazer o aparelho gastar mais energia do que o necessário. Um dos mais comuns é manter portas ou janelas abertas enquanto o ar condicionado está ligado.
Quando o ar frio escapa, o equipamento tem de trabalhar continuamente para compensar essa perda. O mesmo acontece se a divisão tiver estores totalmente abertos durante as horas de maior exposição solar.
Outro erro frequente é esquecer a limpeza dos filtros. Filtros sujos dificultam a circulação do ar, reduzem a eficiência do equipamento e podem aumentar o consumo. A manutenção regular ajuda o aparelho a funcionar melhor e durante mais tempo.
Como poupar sem abdicar do conforto
Para reduzir o consumo, deve usar o ar condicionado de forma mais estratégica. Fechar persianas, cortinas ou estores nas horas mais quentes ajuda a impedir que a casa aqueça demasiado, reduzindo o esforço necessário para arrefecer a divisão.
Também pode ser útil recorrer ao modo económico, se o aparelho tiver essa função, e programar temporizadores para evitar que fique ligado durante mais tempo do que o necessário.
A ventilação natural nas horas mais frescas, como de manhã cedo ou ao final da noite, também pode ajudar a baixar a temperatura interior antes de ligar o equipamento.
Pequena mudança pode fazer diferença
O aviso da Comissão Europeia e de entidades de eficiência energética resume-se a uma ideia simples: baixar demasiado a temperatura do ar condicionado não arrefece a casa mais depressa e pode aumentar desnecessariamente a fatura da luz.
Ajustar o termóstato para valores moderados, manter portas e janelas fechadas, limpar filtros e proteger a casa do sol são medidas simples que podem fazer diferença ao longo do verão.
Num período em que a eletricidade pesa no orçamento de muitas famílias, corrigir este hábito pode ser uma forma prática de poupar sem perder conforto.
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