O Algarve concentra 1.095 imóveis anunciados por mais de três milhões de euros, num mercado residencial de ultraluxo que ultrapassa as 3.200 propriedades em Portugal. Os dados mostram uma forte concentração desta oferta em apenas alguns distritos, com Faro e Lisboa a reunirem a maioria dos anúncios identificados.
A análise, baseada nos anúncios disponíveis na plataforma Idealista a 1 de agosto deste ano, contabilizou 3.267 imóveis colocados à venda acima deste patamar de preço. Lisboa lidera com 1.538 propriedades, enquanto Faro surge logo depois, com 1.095. Juntos, os dois distritos representam mais de 80% da oferta registada.
Lisboa mantém a liderança, mas Faro aproxima-se
Escreve a revista Forbes que os imóveis localizados no distrito de Lisboa correspondem a 47,1% do total nacional de casas anunciadas acima dos três milhões de euros. Faro representa 33,6%, uma diferença de pouco mais de 13 pontos percentuais face à capital.
A distância entre os dois principais mercados torna-se mais evidente quando se observa o número absoluto de propriedades. São 443 anúncios a separar Lisboa do Algarve, num segmento onde o volume de oferta está concentrado sobretudo nos principais destinos residenciais e turísticos.
Setúbal aparece na terceira posição, com 309 imóveis, equivalentes a 9,5% do total. O Porto fica atrás, com 149 anúncios, enquanto a Madeira contabiliza 90 propriedades nesta categoria. Estes cinco territórios concentram praticamente toda a oferta identificada na análise.
Diferenças acentuam-se no topo do mercado
Nos restantes distritos, os números são bastante mais reduzidos. Braga apresenta 13 anúncios, enquanto Aveiro e Portalegre têm 12 cada. Beja soma 10 propriedades e Évora, Leiria e Santarém registam seis anúncios cada uma.
Coimbra e Viana do Castelo contam com cinco imóveis acima dos três milhões de euros. Na Guarda existe apenas um anúncio nesta faixa de preço. Em Bragança, Castelo Branco e Vila Real não foi identificada qualquer propriedade com valor superior a três milhões de euros no momento em que os dados foram recolhidos.
O retrato muda quando o limite de preço é reduzido para um milhão de euros. Nesse caso, existiam mais de 19.000 casas anunciadas em Portugal, com Lisboa a representar 40,6% da oferta, seguida de Faro, com 26,5%, e Porto, com 12,9%.
Parte do mercado pode ficar fora das plataformas
Há, contudo, uma diferença entre os números apresentados e a dimensão efetiva do mercado. Os dados dizem respeito exclusivamente aos imóveis anunciados na plataforma e não permitem contabilizar todas as propriedades existentes ou disponíveis para venda no país.
No segmento de maior valor, algumas propriedades podem ser comercializadas através de canais privados ou de redes especializadas, sem chegarem aos portais imobiliários. Villas, quintas, propriedades históricas e grandes residências podem ser apresentadas diretamente a potenciais compradores.
Segundo a mesma fonte, também podem ser utilizados contactos diretos, consultores imobiliários ou estruturas dirigidas a clientes com elevado património. A comercialização pode, em determinados casos, decorrer sem divulgação pública das características da propriedade ou do respetivo preço.
Por isso, os 3.267 anúncios identificados constituem sobretudo um retrato da oferta pública disponível na plataforma no início de agosto. O número não deve ser interpretado como um inventário completo de todas as casas portuguesas avaliadas em mais de três milhões de euros.
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