O salário mínimo está previsto subir para 970 euros em 2027, mas CGTP e UGT defendem uma revisão do valor. A CGTP considera mesmo possível chegar aos 1.100 euros já no próximo ano.
Os 970 euros previstos para o salário mínimo em 2027 podem voltar à mesa das negociações. CGTP e UGT defendem que existem condições para uma subida superior e pressionam para que o acordo atualmente em vigor seja revisto.
A posição foi assumida por representantes das duas centrais sindicais em entrevista ao podcast Lusa Extra. Para a CGTP, é possível chegar mesmo aos 1.100 euros já em 2027.
Filipe Marques, da comissão executiva da CGTP, considera os 970 euros previstos “profundamente insuficientes” e defende que o tecido empresarial português tem capacidade para suportar um salário mínimo de 1.100 euros.
A central sindical argumenta também que um aumento do poder de compra dos trabalhadores pode contribuir para dinamizar o mercado interno, beneficiando as próprias empresas.
A UGT não fixa, nestas declarações, os 1.100 euros como proposta para 2027, mas também considera necessário ultrapassar os 970 euros.
Carlos Alves, secretário executivo da UGT, classificou uma revisão como “verdadeiramente um imperativo” e apontou para a alteração das condições económicas desde a assinatura do acordo.
Um dos argumentos apresentados é a inflação. Segundo o dirigente sindical, quando o acordo foi assinado estava prevista uma inflação na ordem dos 2% para 2027, enquanto a estimativa do Governo se encontra agora nos 2,5%.
A UGT invoca ainda as metas salariais assumidas politicamente para os próximos anos, considerando que aumentos mais elevados não devem ficar concentrados apenas no final desse período.
Por enquanto, contudo, os 1.100 euros não estão aprovados para 2027.
O Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico estabeleceu uma trajetória para o salário mínimo que previa 920 euros em 2026, 970 euros em 2027 e 1.020 euros em 2028.
O Governo confirmou oficialmente que o salário mínimo subiu para 920 euros em 2026, cumprindo essa trajetória.
A eventual alteração do valor para 2027 terá, portanto, de resultar de uma revisão. A ministra do Trabalho já afirmou que o Governo está aberto a rever acordos em sede de Concertação Social, embora tenha indicado que uma revisão do aumento do salário mínimo não estava, nessa altura, prevista.
Do lado empresarial, as confederações têm manifestado reservas quanto a um reforço do acordo, argumentando que ainda existem medidas acordadas por concretizar.
Assim, para quem recebe o salário mínimo, a referência atualmente estabelecida para 2027 continua a ser 970 euros. Os 1.100 euros são uma posição defendida pela CGTP, enquanto a UGT também pretende uma subida acima da meta atualmente acordada.
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