Muitos consumidores tentam evitar alimentos associados a riscos para a saúde, como carnes processadas, excesso de açúcar ou produtos com um tipo de ingrediente que seja muito calórico. No entanto, há ingredientes presentes em alimentos aparentemente inofensivos que também merecem atenção, sobretudo quando fazem parte da alimentação diária.
O alerta foi deixado por Sento Segarra, farmacêutico espanhol, num vídeo partilhado nas redes sociais, e citado pelo portal Mundo Deportivo. O especialista chamou a atenção para alguns óleos vegetais refinados, frequentemente usados em produtos ultraprocessados, fritos, molhos e maioneses industriais.
Segundo Segarra, estes ingredientes podem ser especialmente problemáticos para a saúde cardiovascular quando consumidos em excesso e de forma regular. O farmacêutico descreveu-os como alimentos “inflamatórios” para as artérias.
Ingrediente está em muitos ultraprocessados
De acordo com o farmacêutico, o problema não está apenas no óleo usado para cozinhar em casa, mas também nos ingredientes escondidos em produtos de supermercado.
Óleos como o de soja, milho, colza e girassol são frequentemente utilizados pela indústria alimentar, sobretudo por serem baratos, versáteis e fáceis de incorporar em diferentes produtos.
Podem estar presentes em fritos, snacks, molhos, produtos de pastelaria, refeições prontas e muitos ultraprocessados consumidos no dia a dia.
Refinamento reduz proteção natural
Sento Segarra defende que alguns destes óleos passam por processos de refinação intensos, perdendo parte dos compostos naturais que poderiam ter efeito protetor.
Segundo o farmacêutico, quando muito refinados, estes óleos ficam mais pobres em antioxidantes e podem ser mais vulneráveis à oxidação, sobretudo quando expostos a altas temperaturas.
A oxidação das gorduras é um dos pontos que preocupa vários especialistas, já que pode contribuir para a formação de compostos indesejáveis durante a confeção ou fritura.
Consumo excessivo preocupa especialistas
O risco associado a estes ingredientes depende sempre da quantidade, da frequência de consumo e do padrão alimentar global.
Um consumo ocasional não tem o mesmo impacto que uma dieta rica em ultraprocessados, fritos e produtos industriais. O problema surge quando estes alimentos substituem opções frescas e equilibradas de forma habitual.
Além disso, dietas muito ricas em óleos refinados e produtos industrializados podem contribuir para excesso calórico, aumento de peso e desequilíbrios nutricionais.
Atenção ao equilíbrio entre gorduras
Alguns óleos vegetais são ricos em ómega-6, um tipo de gordura essencial ao organismo, mas que deve existir em equilíbrio com outros nutrientes, incluindo ómega-3.
Quando a alimentação tem muito ómega-6 e pouco ómega-3, esse equilíbrio pode ficar comprometido. Por isso, os especialistas recomendam variedade e moderação no consumo de gorduras.
Mais do que eliminar todos os óleos vegetais, a recomendação passa por reduzir ultraprocessados e preferir fontes de gordura de melhor qualidade.
Azeite continua a ser uma boa opção
Em países mediterrânicos como Portugal e Espanha, o azeite virgem extra continua a ser uma das opções mais recomendadas para cozinhar e temperar.
Rico em gorduras monoinsaturadas e compostos antioxidantes, o azeite está associado à dieta mediterrânica, frequentemente apontada como uma das mais equilibradas para a saúde cardiovascular.
Ainda assim, também deve ser usado com moderação, uma vez que continua a ser uma gordura calórica.
Ler rótulos pode fazer diferença
Uma das formas mais simples de reduzir o consumo destes ingredientes é consultar a lista de ingredientes dos produtos embalados.
Se óleos refinados surgem entre os primeiros ingredientes, isso pode indicar uma presença significativa no produto.
Também convém ter atenção a alimentos que parecem saudáveis à primeira vista, mas que escondem gorduras, açúcares ou sal em excesso.
Escolhas simples protegem o coração
Para proteger a saúde cardiovascular, a alimentação deve privilegiar produtos frescos, legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais, peixe, frutos secos e azeite.
Reduzir fritos, snacks, molhos industriais e ultraprocessados é uma medida simples que pode fazer diferença a longo prazo.
O alerta do farmacêutico serve sobretudo como lembrete: nem todos os produtos que parecem inofensivos são boas escolhas para consumo diário, e a saúde do coração começa muitas vezes nas decisões feitas no supermercado.
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