A Direção-Geral da Saúde garante que o risco de hantavírus para Portugal é “muito baixo” e que, nesta fase, não há medidas preventivas a aplicar a nível nacional. Ainda assim, a entidade está a acompanhar a situação do navio de cruzeiro MV Hondius, onde foram registadas mortes e casos de infeção associados ao vírus.
O alerta surge depois de ter sido confirmado um surto a bordo do navio Hondius, que se encontra associado a vários casos de doença respiratória grave.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, citada pelo Notícias ao Minuto, a situação foi notificada no início de maio e envolve passageiros e tripulantes de várias nacionalidades. Até 4 de maio, tinham sido identificados sete casos, dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos, incluindo três mortes.
DGS afasta alarme em Portugal
Num explicador divulgado nas redes sociais, a DGS sublinhou que o risco para Portugal é muito baixo.
Por esse motivo, a autoridade de saúde refere que não existem, para já, medidas preventivas a implementar no país.
Ainda assim, a DGS garante que está a acompanhar permanentemente a evolução da situação ligada ao navio que esteve ao largo de Cabo Verde.
O que é o hantavírus?
A síndrome pulmonar por hantavírus é uma doença zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos.
A transmissão ocorre sobretudo pela inalação de aerossóis contaminados com urina, fezes ou saliva de roedores infetados.
O contacto direto com roedores ou com espaços contaminados também pode representar risco, sobretudo em zonas onde estes animais sejam reservatórios do vírus.
Quais são os sintomas?
Numa fase inicial, a infeção pode provocar febre, dores musculares e fadiga.
Depois, podem surgir tosse, falta de ar intensa e acumulação de líquidos nos pulmões.
Perante sintomas respiratórios graves, a recomendação é procurar atendimento médico urgente.
Casos são mais comuns na América do Sul
A DGS recorda que a maioria dos casos de síndrome pulmonar por hantavírus ocorre em países como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Quem viaje para estas regiões deve evitar contacto com roedores e com locais que possam estar contaminados.
Também é aconselhado limpar espaços fechados com cuidado, evitar acumulação de lixo perto de habitações e adotar medidas para controlar a presença de roedores.
Surto no cruzeiro preocupa autoridades
O navio MV Hondius fazia uma viagem entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, com passagens por zonas do Atlântico Sul ligadas ao turismo de observação da vida selvagem.
De acordo com a OMS, os relatos de doença a bordo ocorreram entre 6 e 28 de abril, incluindo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida evolução em alguns casos para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
A OMS e várias autoridades nacionais continuam a acompanhar o surto, incluindo a possibilidade de transmissão entre pessoas em contacto muito próximo.
Estirpe andina está sob atenção
As autoridades internacionais suspeitam que a estirpe em causa possa ser a andina, uma forma rara de hantavírus que pode permitir transmissão limitada entre humanos em situações de contacto próximo.
Mesmo assim, a OMS tem classificado o risco para a população em geral como baixo, mantendo a investigação e o rastreio de contactos.
O foco das autoridades está agora em acompanhar passageiros, tripulantes e contactos que possam ter estado expostos durante a viagem.
Não há medidas nacionais em Portugal
Para Portugal, a DGS não recomenda medidas gerais para a população.
A principal orientação é acompanhar informação oficial e evitar alarmismo, uma vez que não há indicação de circulação do vírus no país associada a este surto.
Ainda assim, quem tenha viajado para zonas de risco e apresente febre, fadiga, dores musculares ou dificuldade respiratória deve contactar os serviços de saúde e informar o histórico de viagem.
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