O mundo é um mundo, e cada ser humano é um mundo em si mesmo. Ninguém sabe das lutas do outro. Simplesmente, pressupomos e catalogamos.
Valorizamos ou condenamos de acordo com os nossos valores e princípios, mas nunca sabemos verdadeiramente pelo que as pessoas podem estar a passar.
Nós próprios, por vezes, perdemo-nos, afastamo-nos do nosso eixo original, da nossa essência mais pura, e damos lugar a experiências, comportamentos e atitudes baseados em sensações e emoções mais densas e tóxicas, que acabam por nos desviar do nosso foco essencial: sermos felizes sendo quem somos.
Acredito que a vida deve ser vivida no maior estado de alegria e celebração possível, pois, se estamos aqui, não é só porque sim, é porque viemos experienciar-nos, viver-nos, amar-nos e também amar tudo o que nos rodeia e quem nos rodeia.
Nem sempre será fácil, é um facto. Mas, sabendo de antemão que existe sempre mais do que uma possibilidade na forma como escolhemos dar-nos a conhecer ao mundo e viver a nossa vida, então…
O que escolhemos fazer?
Viver amargurados, presos ao ressentimento e à culpa? Ou viver ligados à linha que nos conduz ao nosso poder maior? Aquele poder que cada um possui e do qual pode usufruir, criando uma vida mais próxima de si próprio, assente na humildade de se partilhar com os outros através da aceitação, do carinho, da empatia, da compaixão, do respeito e da consciência plena de estar a dar o seu melhor, a si mesmo e aos outros, numa verdadeira troca de experiências e saberes.
Há coisas nesta vida que só quem as vive sabe como conseguiu, ou ainda consegue, manter-se o mais firme e inteiro possível.
Eu admiro profundamente essas pessoas.
Lutar ou batalhar, no sentido de procurar dentro de nós a força para fazer, todos os dias, o melhor que conseguimos, apesar das adversidades vividas, revela uma nobreza e uma integridade que me levam a refletir sobre mim própria e sobre o papel que escolho desempenhar neste mundo humano.
Olho, então, para mim e escolho abandonar a revolta, a zanga e a procrastinação. Escolho agir com calma, parar, respirar e refletir sobre quão vasto pode ser o mundo de cada um de nós, com todas as suas experiências, reviravoltas, força e coragem para enfrentar, dia após dia, os desafios da vida.
De facto, há pessoas extraordinárias neste mundo. Pessoas que vivem num lugar onde nem tudo é perfeito, onde, por vezes, acontecem situações inesperadas e onde é preciso ter atitude, tomar decisões e colocar o corpo, a alma e o coração ao serviço da vida. E fazem-no sem hesitar.
Ninguém sabe quais são os desafios que o outro enfrenta, nem quais são as forças que ainda o mantêm de pé para continuar a aceitar, a acreditar e a dar tudo o que tem em cada instante, muitas vezes com um sorriso no rosto.
Gratidão infinita por essa força, por essa vontade e por essa nobreza.
Que existam cada vez mais pessoas assim.
Gratidão!
Leia também: A ilusão do controlo: o que está verdadeiramente nas nossas mãos? | Por Andrea Moura e Joaquim Caeiro















