Há um novo aumento salarial em preparação que pode refletir-se já nos próximos recibos de vencimento de milhares de trabalhadores do setor privado. A proposta está em fase de consulta pública, mas já revela valores concretos e um detalhe que pode fazer diferença no rendimento mensal.
Como explica o ECO, site especializado em economia, estão em causa atualizações com efeitos retroativos a março, o que significa que o impacto pode não se limitar ao salário base, podendo incluir valores acumulados.
Quem são os trabalhadores abrangidos
A medida dirige-se a cerca de 111 mil trabalhadores administrativos do setor privado que não estão abrangidos por contratação coletiva.
Inclui funções como auxiliares, vigilantes, trabalhadores da limpeza, técnicos administrativos, pessoal de secretariado, contabilidade, informática e recursos humanos. Este grupo depende de uma portaria específica que define condições mínimas de trabalho.
Subida média acima do previsto
O aumento médio proposto é de 6,2%, acima dos 4,6% que tinham sido definidos como referência no acordo de valorização salarial.
Segundo o Governo, esta atualização tem em conta fatores como a inflação, a evolução dos salários mínimos e os dados mais recentes do mercado de trabalho.
Quanto pode ganhar a mais
Os aumentos variam consoante a categoria profissional. Na prática, as subidas situam-se entre cerca de 50 e 87 euros brutos por mês. Os valores mais elevados aplicam-se às categorias superiores da tabela, enquanto os salários mais baixos acompanham a atualização do salário mínimo.
Salário mínimo influencia toda a tabela
A base da tabela salarial passa a alinhar com a retribuição mínima mensal garantida, que sobe para 920 euros. Este ajuste obriga a uma atualização em cadeia das restantes categorias, para manter diferenças salariais equilibradas.
Retroativos podem pesar no próximo pagamento
Um dos pontos mais relevantes desta medida está nos retroativos. Como os aumentos produzem efeitos desde 1 de março de 2026, os trabalhadores poderão receber num único mês os valores correspondentes a março, abril e o novo salário atualizado.
Subsídio de refeição também aumenta
O subsídio de alimentação sobe para 6,15 euros por dia, acompanhando a atualização aplicada à Função Pública. Este valor corresponde ao limite isento de IRS quando pago em dinheiro. Se for atribuído em cartão refeição, o teto isento pode ser superior.
O subsídio de alimentação não entra no cálculo dos subsídios de férias e de Natal. Além disso, não é obrigatório quando a entidade empregadora assegura diretamente a refeição ou comparticipa o seu custo em valor equivalente.
Processo ainda não está concluído
A proposta foi publicada no Boletim do Trabalho e Emprego e encontra-se em consulta pública durante 10 dias. Só depois poderá seguir para publicação em Diário da República, passo necessário para a sua entrada em vigor.
Os custos associados a estes aumentos podem ser parcialmente compensados para as empresas. O regime em vigor permite uma majoração em sede de IRC para aumentos salariais dentro dos critérios definidos pelo Governo.
Objetivo é reforçar rendimentos
Segundo o Executivo, a atualização pretende melhorar o poder de compra e garantir uma estrutura salarial mais equilibrada. Ao mesmo tempo, procura acompanhar a evolução do salário mínimo e evitar desigualdades excessivas entre categorias.
No fim, o valor que cada trabalhador vai sentir no bolso dependerá não só da categoria em que se encontra, mas também do momento em que a medida entrar em vigor e dos retroativos que vierem a ser pagos.
Leia também: Nem casas, nem prédios: ‘okupas’ possuem novos alvos e recuperá-los não é nada fácil















