Poupar alguns euros todos os meses na fatura da eletricidade pode parecer pouco, mas ao fim de um ano a diferença pode ultrapassar os 300 euros. Segundo o Boletim das Ofertas Comerciais de Eletricidade, publicado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) a 17 de setembro, um dos perfis residenciais analisados apresenta uma poupança estimada de 313 euros por ano ao escolher a oferta de eletricidade mais competitiva entre as consideradas, em vez do mercado regulado.
O valor chama a atenção, mas não significa que qualquer família possa automaticamente poupar 313 euros. A diferença depende do consumo, da potência contratada, dos horários em que a eletricidade é utilizada e das condições da oferta escolhida. A composição do agregado familiar serve para ilustrar os exemplos: não é necessário ter determinado número de filhos para encontrar uma tarifa mais barata.
Que família pode chegar aos 313€ de poupança?
Para fazer a comparação, a ERSE definiu três consumidores-tipo representativos do segmento residencial. O perfil com a maior poupança estimada é o consumidor tipo 3: um casal com quatro filhos, um consumo anual de 10.900 kWh e uma potência contratada de 13,8 kVA. Nos três exemplos, a análise considera que 40% do consumo ocorre em horas de vazio, um pressuposto relevante para comparar tarifas simples e bi-horárias.
Neste caso, a fatura mensal média estimada mais baixa era de 186,60 euros, enquanto no mercado regulado chegava aos 212,68 euros. A diferença de 26,08 euros por mês corresponde a cerca de 313 euros num ano, aproximadamente 12% abaixo da referência regulada. Estes valores são estimativas médias, não faturas mensais garantidas.
Também é possível poupar na eletricidade com consumos mais baixos
No consumidor tipo 1, correspondente a um casal sem filhos, com um consumo anual de 1.900 kWh e uma potência contratada de 3,45 kVA, a oferta mais competitiva analisada permite uma poupança estimada de 48 euros por ano, cerca de 11% face ao mercado regulado.
Já o consumidor tipo 2, utilizado para representar um casal com dois filhos, um consumo anual de 5.000 kWh e uma potência contratada de 6,9 kVA, apresenta uma poupança estimada de 123 euros por ano. Neste perfil, a diferença mensal entre a oferta mais barata e a tarifa regulada era de 10,28 euros.
Nem todas as ofertas são mais baratas do que o mercado regulado
Mudar para o mercado liberalizado, por si só, não garante uma fatura mais baixa. No boletim relativo ao terceiro trimestre de 2026, a ERSE contabiliza 22 comercializadores com ofertas de eletricidade.
Dependendo do perfil de consumo, apenas entre sete e 12 tinham pelo menos uma proposta abaixo da tarifa regulada. Para o consumidor tipo 3, eram 12. A escolha deve, por isso, ser feita entre ofertas concretas, e não apenas entre empresas.
Atenção às condições associadas aos preços mais baixos
A proposta que sustentava a poupança de 313 euros era a oferta “Eletricidade DD+FE — Digital”, da EDP Comercial, em tarifa simples e destinada a novos clientes, com débito direto e fatura eletrónica. A análise também abrange ofertas condicionadas a parcerias, contratos com fidelização e tarifas indexadas aos mercados grossistas. Estas últimas podem apresentar oscilações de preço de um mês para o outro.
As contas do boletim foram feitas com as ofertas disponíveis no simulador durante a segunda semana de agosto e incluem taxas e impostos. Ficam excluídas as propostas com serviços adicionais obrigatórios e as ofertas a preços dinâmicos. Como os comercializadores podem alterar preços, campanhas e condições, os valores disponíveis no momento da contratação podem ser diferentes.
Há também uma alteração já anunciada que importa considerar: a partir de 1 de outubro, a tarifa de energia do mercado regulado aumenta 0,005 euros por kWh, segundo o comunicado da ERSE de 15 de setembro. Os 313 euros resultam, portanto, da comparação feita com os preços observados em agosto, não constituindo uma garantia de poupança nos 12 meses seguintes.
Como perceber se está a pagar mais do que precisa pela eletricidade?
O primeiro passo passa por consultar uma fatura recente e identificar o consumo, a potência contratada e os preços aplicados. O simulador permite comparar ofertas disponíveis em Portugal continental e calcular um custo anual estimado para o perfil indicado. É possível introduzir os dados manualmente ou carregar uma fatura em PDF, devendo confirmar-se os elementos extraídos automaticamente antes de avaliar os resultados.
Antes de mudar, importa verificar se existe fidelização, quando terminam os descontos e se há serviços adicionais ou outras condições que alterem o custo final. Conforme recomenda a ERSE, a comparação deve incluir os preços do contrato atual: uma oferta mais barata do que o mercado regulado não é necessariamente mais vantajosa do que aquela que já tem em casa.
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