Para quem vive numa casa arrendada, a possibilidade de um aumento da renda é uma preocupação nas contas do próximo ano. Os dados da inflação divulgados nesta altura ajudam a perceber a dimensão dessa atualização, já que servem de referência para calcular quanto poderá subir o valor mensal pago ao senhorio.
Dados de agosto dão referência para rendas de 2027
A variação média dos últimos 12 meses do IPC sem habitação fixou-se em 2,56%, ou 2,6% quando apresentada com uma casa decimal. É este indicador que serve de referência ao coeficiente de atualização anual das rendas para o próximo ano, como explica o portal Dinheiro Vivo com base nos dados do INE.
A título de exemplo, a aplicação de uma atualização de 2,56% a uma renda de 800 euros representaria um acréscimo mensal de 20,48 euros, passando o valor para 820,48 euros. A divulgação do indicador não significa, contudo, que todas as rendas aumentem automaticamente: a atualização depende das regras aplicáveis a cada contrato.
A taxa de inflação em Portugal fixou-se em 3,3% em agosto, acima dos 3,0% registados em julho. Os dados foram confirmados esta quinta-feira, 10 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mantendo o valor global divulgado na estimativa rápida do final de agosto.
Segundo o INE, a aceleração foi quase totalmente explicada pelo aumento do preço do gasóleo. A taxa homóloga compara os preços com os do mesmo mês do ano anterior, pelo que os 3,3% representam a evolução face a agosto de 2025.
Energia regista uma subida mais acentuada
O índice dos produtos energéticos apresentou uma variação homóloga de 12,2%, quando em julho tinha aumentado 8,7%. Foi uma das alterações mais expressivas dos dados divulgados, mostrando um agravamento da subida dos preços neste conjunto de produtos.
Nos produtos alimentares não transformados, a evolução foi diferente: a taxa abrandou de 3,7% em julho para 3,4% em agosto. Este abrandamento significa que os preços aumentaram a um ritmo mais baixo face ao mesmo mês de 2025, não que tenham diminuído.
Transportes e seguros entre as maiores acelerações
Na análise por classes de despesa, o INE destaca os transportes, cuja taxa de variação homóloga passou de 4,9% para 6,4%. Também os serviços financeiros e de seguros registaram uma aceleração, com a taxa a aumentar de 2,6% em julho para 3,1% em agosto.
Os transportes e os restaurantes e serviços de alojamento estiveram entre as classes com maiores contributos positivos para a inflação global. Comparando com julho, foi também nos transportes que se destacou o aumento da contribuição para a taxa homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC).
Comunicação apresenta preços abaixo dos de há um ano
Em sentido contrário, a classe da informação e comunicação registou uma variação homóloga de -3,9%, depois dos -3,3% observados em julho. Neste caso, os preços ficaram, em média, abaixo dos registados em agosto do ano passado, de acordo com a fonte anteriormente citada.
No lazer, recreação, desporto e cultura, a taxa diminuiu de 2,4% para 1,5%, mantendo-se positiva. Já a informação e comunicação e o vestuário e calçado destacaram-se pelas contribuições negativas para a variação homóloga do IPC.
Inflação subjacente mantém-se em 2,6%
A inflação subjacente, que exclui os produtos energéticos e os alimentos não transformados, fixou-se em 2,6%, o mesmo valor de julho. Este indicador permite acompanhar a evolução dos restantes preços sem a influência direta daqueles dois grupos.
Face ao mês anterior, a variação do IPC foi nula, depois de uma descida de 0,5% em julho. Em agosto de 2025, tinha recuado 0,2%. Por sua vez, a variação média dos últimos 12 meses aumentou para 2,7%, acima dos 2,6% registados no mês precedente.
Indicador europeu coloca Portugal acima da área do euro
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), utilizado nas comparações europeias, registou em Portugal uma taxa homóloga de 3,6%, contra 3,1% em julho. O resultado ficou 0,3 pontos percentuais acima da estimativa do Eurostat para a área do euro, quando a diferença em julho era de 0,2 pontos.
Excluindo os produtos energéticos e os alimentos não transformados, o IHPC português atingiu 2,9%, face a 2,7% em julho e aos 2,1% estimados para a área do euro. O índice global subiu 0,3% em termos mensais, enquanto a sua variação média dos últimos 12 meses passou de 2,5% para 2,6%.
















