Retirar carne do congelador, deixá-la descongelar e voltar a guardá-la crua para consumir noutro dia pode parecer uma forma simples de evitar desperdício. No entanto, esta prática pode criar condições para que os microrganismos presentes no alimento se multipliquem durante o período em que a temperatura sobe.
De acordo com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), as baixas temperaturas não significam necessariamente que as bactérias sejam destruídas. Algumas conseguem sobreviver durante longos períodos mesmo a cerca de 20 graus negativos, permanecendo vivas, embora sem condições favoráveis para se multiplicarem.
O problema começa quando a carne descongela
Quando o alimento é retirado do congelador, a temperatura aumenta progressivamente e pode entrar num intervalo favorável ao crescimento de determinados microrganismos. É durante esta fase que uma quantidade inicialmente reduzida de bactérias pode aumentar antes de a carne voltar ao frio.
Segundo a mesma fonte, se o alimento for novamente congelado, esses microrganismos não desaparecem necessariamente. A congelação pode travar a sua multiplicação, mas as bactérias que entretanto aumentaram em número podem permanecer no alimento.
Voltar a congelar não repõe as condições iniciais
O risco volta a colocar-se quando a carne é descongelada pela segunda vez. Os microrganismos sobreviventes encontram novamente temperaturas adequadas ao seu desenvolvimento e podem voltar a multiplicar-se, desta vez partindo de uma quantidade superior à existente antes da primeira descongelação.
É por esta razão que a entidade estabelece uma regra clara para os alimentos congelados: não voltar a congelá-los depois de descongelados. A repetição destes ciclos pode favorecer um aumento progressivo da carga microbiana e, consequentemente, do risco de intoxicação alimentar.
Frigorífico deve estar entre os três e os quatro graus
A forma como os alimentos são descongelados também merece atenção. Entre as opções indicadas encontram-se a descongelação no frigorífico ou métodos mais rápidos, como o micro-ondas ou a utilização de água corrente, evitando deixar os alimentos durante demasiado tempo a temperaturas favoráveis ao crescimento bacteriano.
A temperatura do frigorífico deve situar-se, idealmente, entre três e quatro graus. A explicação apresentada pela ASAE está no facto de muitos microrganismos patogénicos terem temperaturas mínimas de crescimento entre aproximadamente seis e 10 graus.
Carne crua deve ficar afastada dos alimentos cozinhados
Dentro do frigorífico, os produtos perecíveis, como carne e peixe, devem ser colocados nas zonas mais frias. Já os alimentos cozinhados podem ficar nas prateleiras intermédias, enquanto as áreas menos frias são mais adequadas para fruta e legumes.
Outro cuidado passa por separar sempre alimentos crus de alimentos já confecionados. Os primeiros podem transportar microrganismos capazes de contaminar refeições que já foram cozinhadas, sendo que o simples reaquecimento nem sempre atinge temperaturas suficientes para eliminar todos os microrganismos presentes.
Dividir a carne antes de congelar pode evitar o problema
Guardar a comida em recipientes fechados ou protegê-la com película aderente ajuda também a diminuir o contacto com bactérias ou outros microrganismos. O frigorífico deve permanecer visivelmente limpo, uma vez que restos de alimentos podem favorecer a multiplicação microbiana e contaminar outros produtos.
Uma forma simples de evitar a necessidade de recongelar passa por dividir previamente a carne em porções antes de a colocar no congelador. Assim, é possível retirar apenas a quantidade necessária para cada refeição e manter o restante alimento congelado, respeitando a recomendação de não voltar a congelar aquilo que já foi descongelado.
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