Os cidadãos estrangeiros representavam 41,6% da população de Albufeira e 39,6% da de Lagos no final de 2025, segundo uma análise da Lusa ao “Relatório de Migrações e Asilo 2025”. Os dois concelhos destacam-se num Algarve com uma presença de residentes não nacionais superior à média portuguesa.
O documento, divulgado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) em 22 de setembro, contabiliza os estrangeiros residentes em 31 de dezembro de 2025. A comparação com as estimativas populacionais do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes à mesma data, permite identificar diferenças entre municípios.
Albufeira tinha 26.371 residentes estrangeiros numa população total de 63.375 pessoas. Em Loulé, os 29.721 cidadãos não nacionais correspondiam a 31,5% dos habitantes.
Algarve destaca-se na proporção de residentes estrangeiros
Além de Albufeira, Lagos e Loulé, outros concelhos algarvios apresentavam percentagens acima dos 13,9% nacionais. Em Portimão, os estrangeiros representavam 29,6% da população, em Lagoa 26% e em Monchique 21,7%.
Na análise por distrito apresentada pela Lusa, o Algarve registava a maior proporção de residentes estrangeiros, com 34,5%. Em número absoluto, ocupava o quarto lugar, com 167.124 cidadãos não nacionais.
No conjunto do país, a AIMA contabilizava 1.585.854 estrangeiros, mais cerca de 38 mil do que em 2024, numa população total de 11.424.031 residentes estimada pelo INE.
Odemira já ultrapassa metade da população
Odemira surge como um caso particular no Alentejo: dos 44.043 habitantes do concelho, 22.038 eram estrangeiros, correspondendo a 50,04% da população.
Também Ferreira do Alentejo apresentava uma proporção superior à média nacional, com 23% de residentes não nacionais.
A análise identifica uma maior concentração de população estrangeira no Algarve, na Grande Lisboa, em alguns concelhos do Grande Porto e em territórios com forte oferta turística ou produção agrícola, que têm sido destinos de trabalho para cidadãos de outras nacionalidades.
Na maioria dos municípios, porém, o peso dos estrangeiros na população ficava abaixo da média nacional.
Lisboa lidera em número de residentes não nacionais
Lisboa era o concelho com mais estrangeiros residentes, com 200.073 pessoas, equivalentes a 30,4% da população.
Seguia-se Sintra, com 98.652 cidadãos estrangeiros entre 449.456 habitantes, cerca de 22% do total. No Porto, os 60.351 residentes não nacionais representavam 22,1% da população.
Na Amadora, os estrangeiros eram 55.457, correspondendo a 30% dos habitantes. Cascais registava 53.683, ou 22,1%, enquanto Loures contabilizava 51.134, equivalentes a 21,6%.
Odivelas tinha 50.082 residentes estrangeiros, cerca de 27% da população, e Almada 39.098, correspondentes a 19,3%. No Seixal, os 35.633 cidadãos não nacionais representavam 18%.
Entre os concelhos com maior número absoluto figuravam ainda Braga, com 29.842 estrangeiros, equivalentes a 14% dos residentes, e Vila Nova de Gaia, com 29.626, ou 9,2%.
Mais de mil estrangeiros em 171 concelhos
Apesar da concentração em determinados territórios, os dados mostram uma presença distribuída pelo país. Dos 308 concelhos portugueses, 171 tinham mais de mil residentes estrangeiros e 36 ultrapassavam os dez mil.
Nas regiões autónomas, a proporção era inferior à do continente. Ponta Delgada apresentava o maior número de residentes não nacionais nas ilhas, com 11.719 pessoas, correspondentes a 10,3% da população, segundo a análise divulgada pela Lusa.
No extremo oposto, o Corvo contabilizava apenas 18 estrangeiros, equivalentes a 4,1% dos habitantes. No continente, Barrancos tinha 28 residentes não nacionais, cerca de 2% da população.
Governo aponta estabilização e promete novidades na integração
Algarve está entre os territórios sob maior pressão. Governo associa os dados da imigração às regras de 2024 e promete novidades no plano de integração.
O aumento de 38 mil residentes estrangeiros entre 2024 e 2025 traduz, na avaliação do Governo, uma estabilização da imigração e uma passagem para entradas por via regular. Rui Armindo Freitas associou esta evolução às políticas adotadas em 2024, em declarações à Lusa em 22 de setembro.
O secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração defendeu que o objetivo é garantir “os caminhos para uma imigração com regras claras”.
Mais de 1,5 milhões
O “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, divulgado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), contabiliza 1.585.854 cidadãos estrangeiros no final de 2025, equivalentes a 13,9% dos 11.424.031 residentes estimados pelo Instituto Nacional de Estatística.
O governante salientou a “concordância total” entre os números estimados e os registados, considerando que os dados estão consolidados.
Algarve sob maior pressão
O Algarve, a Grande Lisboa, Setúbal e alguns municípios do Porto estão entre os territórios onde a presença de população estrangeira exerce maior pressão, segundo a notícia da Lusa. Em Odemira, os estrangeiros representam pouco mais de metade dos residentes.
O Governo tinha prometido apresentar um plano de integração até ao final do verão. Questionado sobre o assunto, Rui Armindo Freitas anunciou novidades “para breve”.
O responsável destacou o trabalho no terreno, incluindo mediadores linguísticos e culturais nas escolas e a preparação dos serviços educativos para receber crianças de outras origens. Reconhecendo diferenças territoriais, associou-as às atividades económicas e à oferta de emprego. “As atividades económicas serão sempre aquilo que vai determinar mais ou menos imigrantes em Portugal”, afirmou.
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