Muito antes de Faro e Tavira assumirem a importância que hoje têm no sotavento algarvio, existiu junto à atual Ria Formosa uma cidade romana com capacidade para produzir a própria moeda. Chamava-se Balsa, localizava-se nas proximidades da Luz de Tavira e deixou peças que ajudam a perceber como funcionava a economia local há cerca de dois mil anos.
Segundo a informação disponibilizada pelo portal do Museu Municipal de Tavira, uma dessas peças faz atualmente parte da sua coleção. Trata-se de uma pequena moeda de chumbo, com apenas 1,65 centímetros de diâmetro, datada do período tardo-republicano, entre meados e o final do século I antes de Cristo.
O próprio nome da cidade ficou gravado nas moedas
Uma das particularidades destes objetos está na inscrição que apresentam. Em várias moedas emitidas em Balsa surge a palavra “BALSA” em caracteres latinos, por vezes completa e noutras situações abreviada. Existem ainda exemplares onde algumas letras aparecem invertidas ou agregadas.
Segundo a mesma fonte, a presença deste topónimo nas moedas constitui uma das principais evidências conhecidas da existência da antiga cidade romana. Assim, apesar das reduzidas dimensões das peças, estas acabaram por preservar durante séculos o nome de um centro urbano que desapareceu da paisagem tal como era conhecido naquele período.
Peixes e barcos revelavam a atividade económica
Os desenhos escolhidos para as moedas também não parecem ter sido aleatórios. Entre as representações identificadas encontram-se sobretudo um peixe, associado ao atum, e uma embarcação, dois elementos diretamente relacionados com os recursos e atividades económicas de Balsa.
O Museu Municipal de Tavira explica que estes símbolos remetem para a ligação da cidade ao meio marítimo. A proximidade da atual Ria Formosa e as imagens presentes nas moedas permitem, assim, encontrar sinais da importância que os recursos ligados ao mar assumiam naquela comunidade.
Balsa emitia peças de chumbo e bronze
A moeda agora destacada pelo museu foi produzida em chumbo, mas este não terá sido o único material utilizado. Balsa emitiu também moedas em bronze, destinadas a circular essencialmente no contexto local.
Conforme refere a mesma fonte, estas emissões prolongaram-se pelo menos até ao século seguinte. A existência de diferentes exemplares mostra que a produção monetária não correspondeu apenas a um episódio isolado, integrando antes a atividade económica daquela antiga cidade.
Moedas serviam para pequenas compras do quotidiano
A explicação avançada para esta produção está relacionada com as necessidades das transações de menor dimensão. As moedas apresentavam valor e peso reduzidos, características pouco compatíveis com operações comerciais de grande montante.
Terão servido sobretudo como meio de troca nas compras quotidianas. Balsa dispunha, desta forma, de pequenas peças monetárias próprias capazes de facilitar operações realizadas dentro da comunidade e na sua área de influência.
Uma pequena peça conserva uma parte da história algarvia
Apesar de medir apenas 1,65 centímetros, o exemplar preservado pelo Museu Municipal de Tavira reúne vários elementos sobre a cidade onde foi produzido. O material, as imagens, a legenda e o período em que foi cunhado ajudam a reconstruir aspetos da atividade económica e social de Balsa.
A antiga cidade situava-se nas proximidades da atual Luz de Tavira. Cerca de 2.000 anos depois, as moedas que chegaram até ao presente continuam a guardar o nome “BALSA” e imagens ligadas ao mar, funcionando como pequenos testemunhos de um centro romano que chegou a cunhar a sua própria moeda junto à atual Ria Formosa.
















