Não é preciso viajar até ao outro lado do mundo para encontrar paisagens que fazem lembrar o Havai. Pelo menos é essa a conclusão do jornal britânico Daily Mirror, que voltou a colocar os Açores em destaque entre os viajantes do Reino Unido, apresentando o arquipélago português como o “Havai da Europa” e elogiando as praias, as águas cristalinas e a natureza vulcânica das ilhas.
Britânicos voltam a render-se ao “Havai da Europa“
A comparação feita pela publicação britânica não surge por acaso. Tal como o Havai, os Açores são um arquipélago de origem vulcânica, onde se encontram crateras, lagoas, falésias, zonas termais e uma costa marcada pela rocha vulcânica. O portal oficial de turismo dos Açores apresenta nove ilhas com características distintas, tendo a natureza como um dos principais elementos da oferta turística regional.
O interesse vindo do Reino Unido também é visível nos números oficiais. Segundo as Estatísticas do Turismo de 2025 do Serviço Regional de Estatística dos Açores, os residentes no Reino Unido foram responsáveis por 126.387 dormidas, contra 112.544 no ano anterior, o que corresponde a um crescimento de 12,3%.
Este é, aliás, um mercado ao qual as próprias autoridades regionais têm dedicado atenção. A Direção Regional do Turismo identifica o Reino Unido como mercado emissor para ações específicas de promoção dos Açores, destinadas a aumentar a notoriedade do destino e a captar mais hóspedes e dormidas provenientes do mercado britânico.
Viagem de cerca de quatro horas ajuda a conquistar os britânicos
Um dos argumentos destacados pelo Daily Mirror é precisamente a proximidade. A publicação apresenta Ponta Delgada como um destino alcançável em cerca de quatro horas a partir do Reino Unido, uma diferença considerável face a uma viagem de longo curso para o Havaí. A Azores Airlines comercializa atualmente ligações entre Londres e Ponta Delgada, mantendo assim uma porta de entrada direta para os turistas britânicos.
A importância desta ligação já tinha sido sublinhada pelo Governo Regional, que tem considerado o Reino Unido um mercado estratégico para o turismo açoriano. A promoção externa do arquipélago inclui operadores e profissionais britânicos, numa aposta que procura também atrair visitantes interessados em natureza e turismo de aventura ao longo de todo o ano.
Praias e paisagens de São Miguel fazem lembrar o Havai
Para quem chega a Ponta Delgada, São Miguel é um dos principais cartões de visita do arquipélago. Conhecida como Ilha Verde, é a maior ilha dos Açores e combina extensas áreas de vegetação com grandes crateras vulcânicas, lagoas, falésias, piscinas naturais e nascentes de água quente. É precisamente esta combinação que ajuda a perceber a comparação que tem conquistado a imprensa e os viajantes britânicos.
Sete Cidades é um dos grandes cartões de visita dos Açores
Entre os locais mais emblemáticos encontra-se a Lagoa das Sete Cidades. A paisagem protegida integra as lagoas Azul e Verde e está classificada como uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. O Miradouro da Vista do Rei permite observar o enorme conjunto vulcânico a partir de uma posição elevada, numa das imagens mais reconhecidas de São Miguel.
A própria informação turística oficial descreve São Miguel como uma terra de lagoas instaladas no interior de crateras com vários quilómetros de dimensão, destacando Sete Cidades como uma das mais emblemáticas. A Lagoa do Fogo e a Lagoa das Furnas completam um cenário onde a origem vulcânica da ilha permanece bem visível.
Praias vulcânicas reforçam comparação feita pelos britânicos
A costa é outro dos argumentos usados para explicar o fascínio pelo arquipélago. Em São Miguel encontram-se falésias cobertas de vegetação, formações de basalto negro, pequenas enseadas e várias praias de areia vulcânica. O portal oficial destaca locais como Mosteiros, Ribeira Quente e Pópulo, além das piscinas naturais que aparecem em diferentes pontos da ilha.
Um dos fenómenos mais singulares pode ser encontrado na Ponta da Ferraria, onde a atividade vulcânica aquece a água do mar em determinadas condições. Esta mistura entre Atlântico e geotermia cria uma experiência balnear pouco habitual e reforça a identidade vulcânica que distingue São Miguel de muitos outros destinos europeus.
Ilhéu de Vila Franca do Campo esconde uma piscina natural no oceano
Ao largo de Vila Franca do Campo encontra-se outra das paisagens que ajudam a alimentar a imagem paradisíaca dos Açores.
O ilhéu, localizado a aproximadamente um quilómetro da costa, é uma reserva natural e possui no seu interior uma entrada de água salgada que forma uma espécie de piscina natural protegida pelo antigo cone vulcânico. Durante o verão torna-se um dos locais mais procurados por visitantes.
Águas termais são outra atração difícil de encontrar noutros destinos
No interior de São Miguel, Furnas apresenta outra face da atividade vulcânica. A zona reúne nascentes termais, fumarolas e águas minerais, enquanto locais como a Caldeira Velha permitem tomar banho em águas naturalmente quentes rodeadas por vegetação. O portal oficial de turismo coloca precisamente estas piscinas naturais de água quente entre os elementos mais atrativos da ilha.
A geotermia chega também à gastronomia. Junto à Lagoa das Furnas é confecionado o conhecido cozido, recorrendo ao calor existente no solo vulcânico, uma tradição que se tornou numa das experiências mais características de São Miguel.
Praias e preços acessíveis chamam a atenção da imprensa britânica
Além da natureza, o Daily Mirror apresentou o preço das férias como outro motivo para os britânicos escolherem os Açores em vez do Havai. O jornal refere, a título indicativo, cervejas a cerca de 1,50 euros e refeições em restaurantes locais entre aproximadamente 10 e 15 euros. Estes valores não constituem preços oficiais nem devem ser entendidos como uma média garantida, uma vez que variam consoante a ilha, o estabelecimento e a época do ano.
O mesmo artigo compara ainda o custo global de uma viagem aos dois arquipélagos e apresenta os Açores como uma alternativa bastante mais próxima do Reino Unido. Embora os preços das viagens dependam fortemente das datas escolhidas, a existência de ligações Londres–Ponta Delgada permite aos britânicos chegar diretamente à principal ilha açoriana sem uma deslocação transatlântica até ao Pacífico.
Procura britânica pelos Açores está longe de ser apenas uma moda
Os números ajudam a mostrar que o interesse britânico vai além dos artigos de viagens. O aumento das dormidas provenientes do Reino Unido em 2025 junta-se à estratégia oficial de promoção neste mercado e às ligações aéreas com Londres, tornando os britânicos um dos públicos relevantes para o crescimento internacional do destino.
Entre lagoas instaladas em crateras, praias vulcânicas, piscinas naturais, águas termais e uma paisagem dominada pelo verde e pelo Atlântico, percebe-se assim por que razão os Açores voltaram a captar a atenção dos britânicos. Para o Daily Mirror, a comparação escolhida é clara: há um “Havai da Europa” muito mais perto de casa e fica em território português.
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