O Ilhéu de Vila Franca do Campo é um dos cenários naturais mais conhecidos da ilha de São Miguel, nos Açores, e destaca-se pela forma invulgar, pela origem vulcânica e pela ligação direta ao mar. Este pequeno refúgio atlântico, conhecido como “Anel da Princesa”, continua a atrair visitantes pela combinação rara entre paisagem protegida, águas calmas e biodiversidade.
Situado a cerca de 500 metros da costa sul de São Miguel, em frente à vila que lhe dá nome, o ilhéu é frequentemente apelidado de “Anel da Princesa”. A designação resulta da sua configuração quase circular, formada por uma antiga cratera vulcânica aberta ao mar através de uma passagem estreita. Segundo o blog Turismo dos Açores, trata-se de um cone vulcânico com várias aberturas que permitem a entrada da água do Atlântico no seu interior.
Um anel natural no meio do Atlântico
A imagem vista do alto ajuda a explicar a fama do lugar, de acordo com a mesma fonte. A cratera inundada cria uma lagoa de água salgada protegida pelas paredes rochosas do antigo vulcão, funcionando como uma piscina natural em pleno oceano.
De acordo com o Visit Portugal, a cratera tem cerca de 150 metros de diâmetro e comunicação com o mar, característica que dá ao ilhéu uma das formas mais reconhecíveis da paisagem açoriana.
A origem deste cenário remonta a uma erupção submarina ocorrida há milhares de anos. Os Parques Naturais dos Açores descrevem o ilhéu como um cone de tufo resultante de atividade vulcânica submarina basáltica, possivelmente ocorrida entre quatro e cinco mil anos atrás. Com o tempo, a erosão marinha e as fraturas naturais dividiram a estrutura em duas partes, conhecidas como Ilhéu Grande e Ilhéu Pequeno.
Reserva natural com acesso limitado
O valor ambiental do ilhéu levou à sua classificação como Reserva Natural em 1983. O objetivo foi proteger a vida marinha e assegurar condições favoráveis à nidificação de aves, como o cagarro, uma das espécies mais associadas ao arquipélago. O espaço é hoje uma zona balnear muito procurada, mas o número de visitantes está limitado a 400 pessoas por dia para reduzir o impacto humano.
Essa limitação é uma das razões pelas quais o local conserva parte da sua imagem de refúgio natural. A visita é feita durante a época balnear, por ligação marítima a partir de Vila Franca do Campo, e a entrada controlada permite conciliar turismo com preservação. A RTP Açores avançou que o ilhéu reabre a banhos nesta época balnear mantendo o limite diário de 400 pessoas, com transporte assegurado pelo Clube Naval de Vila Franca do Campo.
Vida selvagem entre rocha, mar e vegetação
Apesar da dimensão reduzida, o “Anel da Princesa” tem relevância ecológica. Os Parques Naturais dos Açores destacam a presença de aves marinhas migratórias, como o cagarro e o garajau-comum, bem como uma diversidade de vida marinha em fundos arenosos e rochosos.
A flora também inclui espécies típicas dos Açores, como a urze, a vidália, a faia-da-terra e outras plantas adaptadas ao ambiente costeiro insular.
Esta combinação entre águas transparentes, paredes vulcânicas e biodiversidade tornou o ilhéu um ponto muito procurado para banhos, observação da natureza, snorkeling e mergulho em apneia. A lagoa interior, mais resguardada do que o mar aberto, oferece uma experiência diferente das praias tradicionais, embora continue dependente das condições do mar e das regras de proteção ambiental.
Fama que atravessou fronteiras
O Ilhéu de Vila Franca do Campo ganhou ainda maior projeção internacional por ter recebido etapas do Red Bull Cliff Diving, competição em que atletas saltam de grande altura para o mar. A própria Red Bull apresenta o local como um clássico da World Series, com os atletas a saltarem das rochas da ilha de São Miguel, nos Açores.
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