Depois de mais de duas décadas a trabalhar por conta de outrem, Javi decidiu mudar de vida e dedicar-se ao setor audiovisual. Três anos depois, garante que a decisão melhorou a sua saúde e revela que já conseguiu faturar 1.500 euros num único dia de trabalho.
Durante 23 anos, Javi trabalhou por conta de outrem e chegou a acreditar que o esforço e a produtividade lhe permitiriam subir dentro da empresa. A promoção nunca chegou e, depois de mais de duas décadas como trabalhador assalariado, decidiu abandonar aquele caminho e trabalhar por conta própria.
Hoje é filmmaker, trabalha para empresas e garante que a mudança não teve apenas impacto nos seus rendimentos. Segundo o próprio, também sentiu melhorias na saúde por ter deixado de lidar diariamente com chefias e colegas com os quais não se identificava.
A experiência foi relatada pelo próprio Javi num vídeo publicado no TikTok e divulgada pelo jornal espanhol El Español. Atualmente, leva três anos a trabalhar por conta própria no setor audiovisual.
Javi chegou a ganhar 1.500 euros num dia
Um dos números que mais chama a atenção no seu testemunho é o valor conseguido com um único cliente.
Javi afirma que foi capaz de ganhar 1.500 euros num dia num trabalho para uma empresa com a qual já tinha colaborado anteriormente. O serviço incluía a produção de um vídeo para o YouTube e de outros 15 vídeos destinados a publicidade.
Apesar de falar num dia, o trabalho não se limitou às horas passadas com o cliente. Javi explica que foram necessárias cerca de cinco horas de gravação e 12 horas de trabalho no total, uma vez que os vídeos tinham de ser entregues rapidamente.
O caso não significa, por isso, que o trabalhador independente tenha um rendimento diário habitual de 1.500 euros. Trata-se de um serviço concreto realizado para um cliente, apresentado por Javi como exemplo do que atualmente consegue faturar com a sua atividade.
Trabalhou 23 anos e esperava chegar a chefe
Antes da mudança, Javi considerava-se um dos trabalhadores que mais se esforçavam dentro da empresa. Segundo o seu relato, acreditava estar entre os 10% mais produtivos e esperava que esse desempenho acabasse por ser reconhecido com uma promoção.
Isso nunca aconteceu. Javi desenvolveu entretanto uma visão bastante crítica sobre a progressão dentro das empresas e considera que ser muito produtivo numa determinada função pode até levar uma chefia a querer manter o trabalhador precisamente nesse lugar.
É neste contexto que surge uma das declarações mais contundentes do seu testemunho. Ao falar sobre quem acaba por chegar aos cargos de chefia, Javi afirma que “a chefes só chegam os graxistas”, numa crítica baseada na sua própria experiência profissional.
A opinião pertence ao próprio e não representa, naturalmente, uma regra sobre a progressão profissional nas empresas.
Mudança também teve impacto na saúde
Para Javi, porém, a principal diferença entre os dois períodos da sua vida profissional nem sequer está no dinheiro.
O filmmaker afirma que trabalhar por conta própria lhe permitiu deixar de estar sujeito a uma estrutura hierárquica e escolher de outra forma as pessoas e empresas com quem trabalha. Diz que essa independência acabou por beneficiar a sua saúde.
Atualmente, além de produzir conteúdos audiovisuais para clientes, utiliza as redes sociais para partilhar aquilo que aprendeu com outros profissionais que pretendem viver da produção de vídeo.
Entre os conselhos que dá está a importância de perceber quem é o cliente antes de definir um orçamento. Javi salienta que trabalhar para um pequeno negócio local não é o mesmo que prestar um serviço a uma empresa com maior capacidade financeira.
Também aconselha outros filmmakers a não baixarem excessivamente os preços apenas para conseguirem trabalhos, defendendo que existem clientes dispostos a pagar valores mais elevados por este tipo de serviço.
A história de Javi mostra assim uma mudança profissional feita depois de 23 anos como trabalhador por conta de outrem. Três anos após ter decidido seguir sozinho, é no setor audiovisual que encontrou a atividade que agora apresenta como alternativa à vida profissional que deixou para trás.















