Durante mais de quatro décadas, Marianne percorreu estradas e pequenas localidades para entregar correspondência, muitas vezes de bicicleta e debaixo de chuva. Depois de 41 anos nos correios franceses, a carteira reformou-se aos 62 anos e revelou o valor que recebe atualmente de pensão.
De acordo com o portal espanhol Noticias Trabajo, a antiga carteira tem agora 66 anos e trabalhou na La Poste, empresa pública francesa equivalente aos Correios em Portugal. Segundo o seu testemunho, recebe uma pensão líquida de 1.240 euros por mês.
O valor representa uma redução face ao rendimento que tinha enquanto trabalhava. Antes da reforma, Marianne recebia aproximadamente 1.610 euros líquidos mensais, ou seja, a passagem à pensão retirou-lhe cerca de 370 euros por mês.
“Parece-me pouco para tantos anos de serviço”
Apesar de se mostrar agradecida pelo rendimento que recebe, a antiga carteira considera que o montante não corresponde ao esforço de uma carreira tão longa.
“Passei toda a vida a trabalhar e, embora esteja agradecida, parece-me pouco para tantos anos de serviço”, afirmou, num testemunho divulgado pela imprensa francesa e espanhola.
Marianne entrou para os correios franceses em 1979. Naquela época, a empresa ainda fazia parte da administração pública e era conhecida pela sigla PTT.
Grande parte da sua carreira foi passada na Bretanha. A distribuição da correspondência obrigava-a a percorrer regularmente as mesmas localidades, muitas vezes de bicicleta e independentemente da chuva ou do frio.
Interrompeu a carreira três vezes para ser mãe
Antes de começar a trabalhar nos correios, Marianne ajudava a família numa exploração dedicada à produção de leite.
Já durante a carreira profissional, interrompeu a atividade em três ocasiões para ter os filhos. A antiga carteira recorda com orgulho ter conseguido conciliar a profissão com a criação das três crianças.
Ao longo dos 41 anos de serviço, assistiu também a profundas alterações na empresa e nas condições oferecidas aos trabalhadores. Na sua opinião, quem entrou posteriormente deixou de beneficiar da mesma estabilidade profissional existente no início da sua carreira.
Reformou-se aos 62 anos
Marianne conseguiu deixar o mercado de trabalho aos 62 anos, antes de ser abrangida pelas alterações introduzidas pela reforma das pensões francesa aprovada em 2023.
Além dos 1.240 euros líquidos que recebe mensalmente, mantém alguns benefícios relacionados com a antiga entidade empregadora, incluindo determinadas condições em serviços bancários e de telecomunicações.
O caso acontece em França e os valores e condições de reforma não devem ser confundidos com as regras aplicáveis aos pensionistas portugueses.
Depois de quatro décadas dedicada ao trabalho, Marianne diz agora ter uma prioridade diferente. Quer aproveitar a família, passar mais tempo com os netos e desfrutar da reforma.
“Trabalhei toda a minha vida. Agora quero desfrutar do tempo livre, cuidar dos meus netos e ser feliz”, concluiu.















