Comunicamos de forma reativa ou assertiva?
Ouvimos, ponderamos e depois respondemos? Ou ouvimos e reagimos sem filtro?
A nossa forma de expressar-nos e de comunicar, diz muito sobre nós, não somente no que dizemos senão como o dizemos.
Através da comunicação manifestamo-nos ao mundo. Transmitimos nossos sentires, pensamentos, ideias, desejos…
Mas também a forma como respondemos às mensagens que recebemos dos outros, fala de nós, porque elas dependem da interpretação que fazemos delas.
E de onde vem essa interpretação? Vem de nós: das nossas crenças, ideias, ideais, conceitos, emoções, princípios, valores, historia pessoal, etc… Porque é a partir de tudo o que somos que interatuamos, conhecemos e reagimos ao mundo. Por tanto, cada ação nossa mostra um pouco de nós.
Tomemos um exemplo simples: se estamos a ter um dia stressante e frustrante isto vai influenciar a nossa forma de falar e também de responder, e o mais provável é que a interpretação que fazemos da informação recebida e a sua consequente resposta/reação a ela vai ter um pouco desse estado emocional, mesmo não tendo a intenção de que assim seja.
Por exemplo, talvez o tom de voz utilizado, a ênfase das palavras ou frases, os gestos faciais ou corporais (linguagem não verbal) que as acompanham dão indicações do estado emocional da pessoa, porque fala mais alto e mais rápido que o habitual, porque mostra-se inquieto e pouco paciente, porque mantém uma expressão facial fechada/zangada, etc.
Assim, responder nestas condições emocionais ou ao estilo ‘piloto automático’, maioritariamente desencadeia uma comunicação reativa, ou seja, reagimos sem filtros. É uma espécie de ação de ‘estimulo-resposta’, que pode afetar as pessoas que se encontram nesse diálogo, e nem sempre se obtém o melhor resultado.
Por outro lado, numa escuta mais ativa, caraterizada pela atenção plena ao que o outro está a dizer, ficamos um pouco menos reativos, mais calmos e até com uma certa distancia emocional sobre a situação ou sobre o que ouvimos, o que nos permite ter espaço para entender, questionar e responder mais assertivamente, independentemente de qual o estado emocional que estamos a detetar no outro e/ou em nós mesmos.
Este último tipo de comunicação acaba por transformar-se numa forma de troca de mensagens entre emissor e recetor mais respeitosa e produtiva, que fomenta um bom ambiente comunicacional, onde cada um tem espaço para ouvir e ser ouvido.
Todos nós temos momentos em que somos ‘assaltados’ pelas nossas emoções, pois somos seres humanos, porém, acredito que em qualquer área da nossa vida o importante é empenhar-nos para encontrar o equilíbrio e aprender a gerir os nossos sentires.
Para mim, ir aprendendo a gerir as emoções tem sido um pilar fundamental, não só para o que concerne à comunicação com os outros e comigo mesma, senão também em tudo o que a vida engloba: bem-estar físico e emocional, relacionamentos, concretização pessoal e profissional, etc.
Porque quando começamos a encontrar estratégias e formas de gerir emoções, também aprendemos a gerir pensamentos e estados emocionais que se manifestavam no corpo, por exemplo, e isso traz uma sensação de bem-estar e de alinhamento interno e externo que não tem comparação.
Isto não quer dizer que é sempre um ‘mar de rosas’, mas acredito fielmente que mesmo tendo um dia menos bom, podemos sempre, em consciência, dar o nosso melhor. E a forma como comunicamos pode ser um alicerce para esse equilíbrio, porque a forma como falamos com os outros é também um indício de como comunicamos connosco.
Por isso, convido-vos a dar o vosso melhor para comunicar com gentileza e assertividade.
Gratidão!
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