Já estava reformado, mas percebeu que a pensão não chegava para suportar as despesas da casa. Voltou então ao trabalho, enquanto a mulher, também pensionista, fazia trabalhos em part-time. “Quando formos para o cemitério é que vamos descansar”, dizia.
Fernando Rodrigues recebia 540 euros de pensão quando o Público contou a sua história, em maio de 2023. A mulher, Filomena, recebia pouco mais de 700 euros, mas as duas reformas não chegavam para fazer face às despesas do casal.
“Mais de 70% do nosso orçamento vai para as despesas da casa”, explicou Fernando. A conclusão que tirou foi simples: apesar de reformado, teria de regressar ao trabalho.
“Descansamos quando formos para o cemitério”
Fernando tinha deixado de trabalhar em 2007, por indicação médica, depois de sofrer um burnout severo. Ficou cerca de 15 anos afastado da atividade profissional.
Quando Filomena se reformou, em 2021, o casal fez contas e percebeu que os rendimentos não eram suficientes. Fernando começou então a atualizar conhecimentos e voltou à área da contabilidade, passando a trabalhar a partir de casa.
À pensão de 540 euros juntava cerca de 500 euros obtidos através do trabalho.
Sobre a possibilidade de finalmente descansar, respondeu ao Público: “Quando nós formos para [o cemitério] é que vamos descansar. De resto temos de andar sempre a pedalar, porque não ganhamos o suficiente para comer.”
Mulher também voltou a fazer trabalhos em part-time
Filomena tinha trabalhado como técnica de farmácia, mas abandonou o emprego em 2007 para acompanhar o marido durante a doença. Mais tarde regressou ao mercado de trabalho e acabou por se reformar antecipadamente em 2021 para cuidar da mãe.
Recebia pouco mais de 700 euros de pensão e continuava, sempre que possível, a fazer part-time numa loja perto de casa.
O casal contou ainda que gastava aproximadamente 250 euros por mês em medicamentos e que os custos com alimentação, crédito à habitação, energia e telecomunicações tinham aumentado.
Na altura, não faziam férias há mais de 20 anos e esperavam apenas conseguir deixar definitivamente de trabalhar quando terminassem de pagar a casa, por volta dos 75 anos.















