A procura de uma mudança na qualidade de vida levou a francesa Maya a instalar-se com a família no Algarve, depois de experiências na China, na Suíça e em Marrocos. Olhão foi a cidade escolhida para esse novo capítulo, marcado pelo trabalho no setor imobiliário e pela construção de um círculo de amizades.
Numa entrevista concedida em abril de 2025 ao portal Expat Arrivals, Maya destacou que a participação no projeto Algarve Women Network ajudou-a a conhecer mulheres com diferentes percursos. “Tem sido incrível fazer novas amizades e encontrar pessoas com quem trocar ideias e aprender”, contou.
As amizades chegaram pela escola e pelo desporto
Apesar da experiência acumulada a viver fora de França, Maya admitiu que conhecer pessoas em Portugal foi inicialmente mais difícil do que noutros países. Os contactos foram surgindo através da escola, das atividades desportivas e da profissão, com alguns clientes a tornarem-se também amigos.
Entre as amizades portuguesas, destacou pessoas que conheceu no trabalho e no padel. Contudo, a maioria dos amigos são estrangeiros. Na sua perspetiva, aprender português facilita a aproximação, uma vez que permite participar nas conversas sem esperar que os restantes mudem de língua.
Filha precisou de mais tempo
A adaptação familiar decorreu a ritmos diferentes. “Eu e o meu marido adaptámo-nos rapidamente”, afirmou na entrevista. Para a filha, porém, a língua representou uma dificuldade inicial, exigindo mais tempo até se sentir integrada.
À data do testemunho, essa barreira já tinha sido ultrapassada e a criança falava português fluentemente. Nos momentos em família, as visitas às ilhas faziam parte das preferências, sobretudo à Armona, para onde costumavam levar o caiaque.
Qualidade de vida e um projeto profissional
Quando questionada sobre o que mais apreciava em Olhão e em Portugal, Maya destacou a qualidade de vida, o clima e a segurança. Valorizava também gestos quotidianos, como os cumprimentos entre desconhecidos na rua ou as conversas dos mais velhos com quem os atende no supermercado.
Além disso, associou a mudança à possibilidade de desenvolver uma atividade por conta própria. “Foi também o lugar que me permitiu tornar-me empreendedora”, explicou. O trabalho no imobiliário proporcionava-lhe contactos frequentes e levava-a a apresentar aos compradores diferentes zonas e formas de viver no Algarve.
Burocracia e custos entre as dificuldades
A satisfação não a impediu também de identificar problemas. No relato ao Expat Arrivals, apontou a burocracia, limitações nas infraestruturas e dificuldades com o cumprimento de horários. Referiu ainda que os transportes públicos lhe pareciam pouco práticos para as deslocações na região.
O aumento do custo de vida também pesava nas escolhas da família, nomeadamente nas escapadinhas de fim de semana. Ainda assim, mantinham o gosto pelas caminhadas, pelos encontros com amigos e por experimentar restaurantes. Maya dedica parte do tempo ao padel, enquanto o marido prefere o golfe, aproveitando também a proximidade de Espanha para visitar Sevilha.
















