Alunos de Portimão estão entre os casos ainda sem vaga nas escolas públicas identificados pelo grupo de pais “Não Somos Bonecos”, que mantém a intenção de avançar com um processo contra o Ministério da Educação por falta de colocações.
Às 15:00 de 17 de setembro, 15 das 60 famílias do grupo continuavam “sem receber qualquer informação”, afirmou à Lusa o porta-voz, Rui Boavida. Os casos abrangem alunos desde o pré-escolar até ao ensino secundário.
Além de Portimão, a lista inclui Lisboa, Amadora, Moita, Montijo, Seixal, Porto e Viseu. Oito dos casos dizem respeito a crianças do pré-escolar.
“Apesar dos esforços que aparentemente estão a ser feitos pelos serviços do ministério, no nosso grupo de 60 famílias ainda temos um bom número de alunos sem colocações, incluindo nas áreas que já foram alvo de intervenção”, declarou Rui Boavida.
Famílias relatam dificuldades para conciliar trabalho e filhos em casa
O porta-voz alertou para as consequências da falta de colocação, sobretudo entre famílias com menores recursos e sem apoio próximo.
“Temos famílias monoparentais com poucos recursos económicos com miúdos que deveriam estar numa turma do pré-escolar e continuam em casa. São pessoas sem uma rede familiar próxima, que estão a atravessar muitos problemas por causa dos seus empregos”, afirmou.
Rui Boavida relatou ainda que um dos pais telefonou nesse dia para a Agência para a Gestão do Sistema Educativo e insistiu em falar com um responsável. “Desligaram-lhe o telefone na cara”, denunciou, sublinhando que todos os pais do grupo garantem ter feito as inscrições dentro dos prazos legais.
Na sua perspetiva, as famílias estariam mais tranquilas se fossem informadas de que os casos estão a ser tratados. Em vez disso, diz, “há um vazio, um silêncio” que aumenta a ansiedade.
Ministério anuncia escola para mais 362 alunos
No mesmo dia, o Ministério da Educação divulgou que os serviços tinham encontrado escola para 362 alunos dos concelhos do Barreiro, Seixal, Loures e Odivelas, ficando por resolver “um número muito residual” de casos no Seixal.
O resultado seguiu-se à reunião de quarta-feira entre a agência e 41 diretores de escolas públicas daqueles quatro concelhos. Segundo a tutela, o encontro permitiu resolver “praticamente a totalidade dos casos de matrículas pendentes nestas regiões”.
Na segunda-feira, a agência tinha reunido com diretores de escolas de Lisboa, resolvendo a situação de 405 alunos. Na terça-feira, ficaram colocados outros 569 estudantes de Almada, Sintra e Amadora, de acordo com os dados do ministério.
Colocação no Porto não estava confirmada pela escola
Apesar dos números anunciados, uma mãe do Porto contou à Lusa que a situação da filha, aluna do 1.º ciclo, sofreu um revés depois de parecer resolvida na noite de quarta-feira.
A menina ficou colocada “na noite passada”, explicou, mas “esta manhã, no agrupamento não sabiam de nada”. A família tem uma reunião marcada para sexta-feira, 18 de setembro, com a diretora do agrupamento frequentado pela irmã, “do outro lado da cidade”.
A maioria das famílias do grupo “Não Somos Bonecos” já recebeu uma resposta positiva e tem os filhos a frequentar uma escola pública. Ainda assim, Rui Boavida assegura que “o processo contra o ministério da Educação vai avançar à mesma”.
O Ministério da Educação tem identificado a região de Lisboa como a mais problemática, mas continua sem apresentar dados nacionais sobre o número de alunos que permanecem sem vaga.
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