Num momento em que o uso de trotinetes elétricas continua a crescer em Espanha, várias autarquias estão a intensificar a fiscalização, levando a um aumento significativo de apreensões destes veículos que não cumprem a lei. A medida surge após a entrada em vigor de novas regras que apertam o controlo e reduzem a margem para irregularidades, segundo o portal especializado em automóveis El Motor.
A ofensiva municipal contra os excessos associados às trotinetes elétricas avançou para uma nova etapa. Já não se limita à vigilância da circulação, passando também pela verificação rigorosa do cumprimento de todos os requisitos legais.
Entre as principais exigências estão o registo obrigatório junto da Dirección General de Tráfico, a existência de seguro e o respeito pelos limites técnicos definidos na legislação.
Sempre que algum destes critérios falha, as consequências tornaram-se mais frequentes: aplicação de coimas, imobilização imediata e, em muitos casos, apreensão do veículo.
Registo obrigatório e controlo reforçado
Desde o final de janeiro, o registo de veículos pessoais ligeiros passou a estar plenamente operacional em Espanha. Este sistema obriga os utilizadores a identificar a trotinete com uma etiqueta oficial associada à autoridade de trânsito.
Este passo tornou-se essencial também para a contratação de seguro, fechando uma das principais lacunas legais que existiam até agora. Com este enquadramento mais definido, várias polícias locais reforçaram as ações no terreno, conforme refere a mesma fonte.
Dois tipos de controlo no terreno
O novo modelo de fiscalização combina duas vertentes distintas. Por um lado, o controlo administrativo, que verifica se o veículo está devidamente registado, identificado e segurado.
Por outro, existe o controlo técnico, destinado a confirmar se a trotinete cumpre os critérios legais para ser considerada um veículo pessoal ligeiro.
Para este efeito, algumas autarquias estão a recorrer a dinamómetros portáteis, semelhantes aos utilizados em inspeções automóveis. Estes equipamentos permitem medir, no local e na presença do utilizador, a velocidade máxima do veículo.
Velocidades acima do permitido levam à apreensão
Os dados recolhidos durante os testes servem de base para eventuais sanções. Na prática, estas operações têm revelado um número significativo de trotinetes que ultrapassam os limites legais.
Apesar de estarem registados, muitos veículos apresentam alterações, como baterias adicionais, limitadores removidos ou motores modificados.
Segundo a mesma fonte, quando são detetadas velocidades de 35, 50 ou mais quilómetros por hora, a trotinete deixa de cumprir os critérios legais e é retirada de circulação, mesmo que esteja registada.
Multas mais difíceis de evitar
Com o registo ativo, tornou-se mais difícil alegar desconhecimento das regras. A legislação em Espanha prevê coimas que podem variar entre 200 e 1.000 euros, dependendo da infração, além da possível apreensão do veículo.
Algumas autarquias admitem que o número de processos aumentou significativamente, com dezenas de infrações registadas diariamente em certas campanhas de fiscalização.
Depósitos municipais começam a encher
A intensificação das apreensões está a gerar um efeito inesperado: os parques de recolha municipais começam a atingir a capacidade máxima, acumulando centenas de trotinetes.
Em muitos casos, os proprietários optam por não recuperar os veículos, seja pelo custo das multas, seja por se tratarem de modelos antigos que poderão ficar fora da circulação legal nos próximos anos, de acordo com a fonte acima citada.
Pressão social acelera medidas
As autarquias justificam o reforço das medidas com o aumento das queixas por parte da população. A circulação a alta velocidade em zonas partilhadas, os acidentes e a perceção de impunidade têm levado a uma estratégia mais rigorosa. Neste novo cenário, a mensagem é clara: qualquer trotinete que não cumpra as regras poderá ser retirada da estrada.
Leia também: Regras são para cumprir: UE muda estas normas para todos os veículos matriculados a partir desta data















