Silves está a ganhar espaço entre os locais procurados por quem visita o Algarve e procura ir além das praias. Uma turista que passou pela região decidiu dedicar um dia à cidade do interior e destacou o castelo, a Sé e o património ligado à presença muçulmana. A recomendação deixada nas redes sociais inclui ainda um conselho para os meses de maior calor: chegar cedo.
A experiência foi partilhada pela utilizadora @almaz.travels no TikTok, que apresentou Silves como uma opção para uma visita de um dia. “Vá de manhã cedo, especialmente no verão, pois fica muito quente a caminhar pelo castelo”, escreveu, referindo-se às condições durante a visita à fortaleza.
Cidade marcada por diferentes períodos da história
Note que a história de Silves está diretamente ligada à ocupação islâmica do Algarve, período em que a cidade assumiu funções de relevo na região. Mais tarde, depois da reconquista cristã, tornou-se capital do Reino do Algarve, estatuto que manteve até ao século XVI.
De acordo com o blogue Vaga Mundos, essa sucessão de períodos históricos deixou uma marca evidente no património da cidade. As ruas, monumentos e espaços públicos permitem encontrar vestígios de diferentes épocas, desde o período romano à presença muçulmana e à posterior transformação da cidade sob domínio cristão.
O Castelo de Silves é o principal símbolo desse passado. A fortificação, conhecida como “castelo vermelho” devido à utilização do grés de Silves, foi construída pelos árabes no século XI e é apontada pela mesma publicação como um dos mais relevantes exemplos da arquitetura militar islâmica em Portugal.
Do castelo à Sé, há património para percorrer a pé
No interior da fortaleza encontram-se a alcáçova, a torre de menagem, a Cisterna da Moura, a Cisterna dos Cães e a alcaidaria. O recinto inclui ainda jardins e estruturas defensivas que permitem observar a cidade a partir das muralhas e dos torreões.
A poucos minutos encontra-se a Sé Catedral de Silves, construída a partir de 1268 no local onde existia a antiga mesquita maior de Xilb. O edifício é apresentado pelo Vaga Mundos como a principal construção gótica do Algarve, embora tenha recebido posteriormente elementos de outros períodos, nomeadamente barrocos e rococós.
A Igreja da Misericórdia é outro dos edifícios que integram o percurso histórico pelo centro da cidade. Construída em meados do século XVI, apresenta um retábulo maneirista e um pórtico manuelino, acrescentando outro período arquitetónico ao conjunto patrimonial de Silves.
Antigas entradas e o património junto ao rio
As Portas da Cidade constituem outro ponto de passagem para quem percorre o centro histórico. A estrutura em grés vermelho dava acesso à principal rua da antiga cidade e incluía uma entrada em cotovelo, solução associada à tradição almóada e pensada para dificultar o acesso de soldados a cavalo.
O Museu Municipal de Arqueologia acrescenta outra dimensão ao percurso. O espaço desenvolve-se em torno de um poço-cisterna almóada dos séculos XII e XIII e reúne peças arqueológicas relacionadas com diferentes períodos, incluindo a Pré-História, a época romana e a ocupação muçulmana.
Mais abaixo, junto ao rio Arade, encontra-se a Ponte Velha de Silves, cuja origem remonta ao século XV e que atualmente é utilizada apenas por peões. A Praça Al-Mutamid, também junto ao rio, reúne árvores, fontes e esculturas associadas a figuras da história da cidade.
Visita que não termina no castelo
Para uma pausa durante o passeio, a Praça do Município reúne a Câmara Municipal, o Pelourinho de Silves e o Centro de Interpretação do Património Islâmico, instalado no posto de turismo. O espaço conta ainda com uma zona de esplanada.
O percurso pode continuar pela Ermida de Nossa Senhora dos Mártires e pelo Jardim do Largo Mártires da Pátria, bem como pela Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica, instalada no antigo matadouro municipal, construído em 1914 em estilo neoárabe.
O Mercado Municipal é outra das paragens indicadas pelo Vaga Mundos, sobretudo para quem pretende encontrar produtos frescos e regionais. Fora do centro, a Cruz de Portugal, de origem e data incertas, marca também um dos pontos de interesse da cidade, na saída em direção a São Bartolomeu de Messines.
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