Melancolia dos Confins – Norte, de Mathias Enard, com tradução de Joana Cabral e publicado pela Dom Quixote, chegou às livrarias a 1 de setembro.
Tenho lido toda a sua obra, e apresentado aqui vários dos seus livros.
Este seu novo romance, o quinto publicado pela Dom Quixote, é o primeiro de uma tetralogia dividida em quatro estações.
Este destacadíssimo escritor francês não é fácil de ler, e por isso mesmo torna-se mais desafiante e interessante.

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
Numa escrita fluída, complexa, onde abundam – mais que usualmente – referências e citações, Enard narra na primeira pessoa, conduzindo-nos por parágrafos longos que se estendem por páginas. O autor-narrador é aqui um viajante por uma Berlin fustigada pela chuva, e como acontece com qualquer viajante que caminha sem rumo específico a principal viagem que aqui se faz é sobretudo pelo tempo.
“Toda e qualquer narração tem que ver com o movimento, com a fronteira e o movimento.
Com o amor, também.” (p. 100)
Norte apresenta-se como «o primeiro volume desta Melancolia dos Confins em quatro estações, na qual, sob o nosso olhar, Mathias Enard desenha o seu atlas pessoal, cartografia íntima de um mundo feito de hiperligações, incansavelmente percorrido. E consegue, mais uma vez, o tom certo para celebrar os encontros e a diversidade.»
Destaca-se sobretudo a ligação entre o caminhar, aparentemente sem destino, e a errância do pensamento que constantemente deambula pelos meandros da História sempre em estreita relação com a literatura.
Pode ler-se na sinopse:
«Ao sair da clínica de Beelitz, onde foi visitar uma querida amiga apanhada por um acidente vascular cerebral, o autor transforma a sua melancolia num passeio, tanto para se aquecer como para afugentar a tristeza que o aflige. Enquanto cai a noite precoce e chuvosa do outono berlinense, Mathias Enard caminha pela cidade e pela sua história.

Como numa conversa interior algo dantesca, o seu espírito deambula, vasculha o tempo e a geografia, examina a noção multiforme de fronteiras, de limites… e descobre em todo o lado as clareiras, a esperança melancólica: nas suas lembranças, nas suas leituras ou na sua prática ativa da amizade – que nunca se encontra muito afastada da sua experiência da literatura.»
Mathias Enard nasceu em 1972, estudou persa e árabe, e viveu largos períodos no Médio Oriente.
É professor de árabe na Universidade de Barcelona, cidade onde vive.
É autor dos romances La Perfection du tir (2003; Prémio dos Cinco Continentes da Francofonia 2004), Remonter l’Orénoque (2005), Zona (2008; prémios Décembre 2008 e Livre Inter 2009, entre outros), Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes (2010; Prémio Goncourt des Lycéens 2010 e Prémio do Livro em Poitou-Charentes 2011), Rue des voleurs (2012; finalista do Prémio Goncourt e vencedor do Prémio Lista Goncourt / A Escolha do Oriente 2012, entre outros), Bússola (2015; Prémio Goncourt 2015 e Prémio Lista Goncourt / A Escolha da Suíça 2015), Le Banquet annuel de la confrérie des fossoyeurs (2020), Desertar (2023) e Melancolia dos Confins – Norte (2024). Publicou também os livros de ensaio Bréviaire des artificiers (2007) e L’Alcool et la nostalgie (2011).
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