No próximo dia 5 de agosto, entre as 11:00 e as 12:30, a Zona Ribeirinha de Portimão volta a recuar no tempo com a recriação da descarga da sardinha no cais, um dos momentos mais emblemáticos do calendário cultural local. A iniciativa, promovida pelo Município de Portimão através do Museu da cidade, contará este ano com uma novidade: a introdução do alar da rede, evocando uma nova dimensão do quotidiano da faina.
“Queremos proporcionar uma experiência ainda mais autêntica e envolvente, ligada à identidade portimonense e à memória coletiva da comunidade piscatória”, explica o Município, acrescentando que esta atividade visa recriar com o máximo de fidelidade a atmosfera vibrante que envolvia a chegada das traineiras à antiga lota.
Um espetáculo comunitário
A encenação, que decorre no Cais Gil Eanes, envolve mais de 70 figurantes locais, trajados a rigor e acompanhados por elementos do Grupo Coral Adágio e pela tripulação da embarcação “Travesso”. A iniciativa é dirigida artisticamente pelo ator Vítor Correia e baseada no trabalho etnográfico de Michel Giacometti.

Entre os protagonistas estão também as embarcações “Arrifana” e “Portugal Jovem”, atualmente em atividade, que participam com a descarga de 600 quilos de sardinha fresca oferecida pela Docapesca – Portos e Lotas S.A., parceira do evento. A operação de descarga reproduz a “coreografia” aperfeiçoada dos homens da lota, onde as canastras de sardinha voavam do convés para o cais, entre a azáfama de compradores, descarregadores e mirones.
Alar da rede e tradição oral
Com a introdução do alar da rede — o momento em que a rede de cerco era puxada para bordo ao som do tradicional “Arribalé” — pretende-se aprofundar o retrato de uma prática central da vida piscatória. “É um dos mais importantes instrumentos da faina, cuja manipulação exigia coordenação, força e ritmo de grupo”, realça o Município.

O episódio será transmitido em direto na página de Facebook do Município de Portimão, permitindo que residentes e turistas que não possam deslocar-se ao local acompanhem a recriação.
Festival da Sardinha arranca à tarde
A recriação histórica marca o arranque simbólico da 29.ª edição do Festival da Sardinha, que inaugura ao final da tarde de 5 de agosto e tem como cabeça de cartaz o concerto de Rui Veloso. De 5 a 10 de agosto, o recinto contará com cinco espaços de restauração dinamizados por associações locais. Serão distribuídas 3.000 senhas de degustação gratuita, cada uma válida para duas sardinhas no pão e uma bebida.
Memória da antiga lota
A iniciativa celebra a antiga lota de Portimão, que funcionou na margem direita do Arade até 1987. A lota era um espaço de intensa atividade, onde o peixe da “companhia” era vendido diretamente, e onde se destacavam os leilões “à boca”, a venda informal, os assadores de sardinha improvisados e até as crianças que tentavam furtar alguns exemplares.

“Era um espaço de convivência comunitária e de trabalho, com presença feminina, figuras típicas e um quotidiano marcado pelo ritmo do mar e do comércio local”, recorda o Município.
O evento já mereceu reconhecimento da Associação Portuguesa de Museologia, com menção honrosa em 2020 na categoria “Inovação e Criatividade”, e continua a afirmar-se como um exemplo de salvaguarda do património cultural e dinamização do turismo cultural em Portimão.
Traineiras e programação “É Verão, é Portimão”
Além das embarcações “Arrifana” e “Portugal Jovem”, estarão também envolvidas nesta edição da recriação as traineiras “Travesso” e “Moira”. A recriação e o Festival da Sardinha integram o programa cultural “É Verão, é Portimão”, promovido pelo Município.
Mais informações podem ser consultadas em www.festivaldasardinha.pt.
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