A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima apoiou, entre 2021 e 2025, 4.804 mães e pais vítimas de violência praticada pelos filhos, segundo dados divulgados esta semana pela instituição. O distrito de Faro surge entre os territórios com mais situações registadas, concentrando 15,1% dos casos sinalizados pela APAV.
À frente do Algarve estão apenas os distritos de Lisboa, com 18,7%, e Porto, com 15,6%. Seguem-se Braga, com 13,8%, e Setúbal, com 9,1%.
Segundo a APAV, chegaram ao conhecimento da associação 9.609 crimes e outras formas de violência contra mães e pais neste período. A violência doméstica foi a tipologia predominante, representando 83,1% das situações.
Maioria das vítimas são mulheres
Do total de vítimas apoiadas, 96,8% foram agredidas por um filho e 3,2% por dois ou mais filhos. A maioria das vítimas era do sexo feminino, representando 79,4% do total, e 59,6% tinha 65 ou mais anos.
Quanto aos filhos agressores, a maioria era do sexo masculino, correspondendo a 69,5% dos casos. A faixa etária entre os 25 e os 54 anos foi a mais representativa, com 45,5%.
Mais de metade das vítimas sofreu vitimação continuada, num total de 55,7%. “Em 33,5% das situações decorreram entre dois e sete anos até ao primeiro pedido de apoio à APAV, sendo que 47,7% das vítimas não apresentou queixa ou denúncia às autoridades”, indicam os dados da associação.
Fenómeno ainda invisibilizado
Para a APAV, “a violência exercida contra mães e pais por parte de filhas/os continua a ser uma realidade frequentemente invisibilizada e marcada por sentimentos de culpa, medo, vergonha e isolamento”.
A associação, que presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, defende que estes números reforçam a necessidade de reconhecer o fenómeno e garantir respostas especializadas às vítimas.
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