A Ordem dos Médicos vai entregar ao Governo um compromisso estratégico pela Medicina Geral e Familiar, centrado no acesso universal a médico de família, na valorização dos profissionais e numa governação clínica “verdadeiramente eficaz” que reforce a resposta do Serviço Nacional de Saúde.
A proposta foi discutida esta semana no fórum “Reflexão sobre o Futuro da Medicina Geral e Familiar em Portugal”, promovido pela Ordem dos Médicos e pelo colégio da especialidade, no Dia Mundial do Médico de Família.
Segundo a Lusa, a iniciativa juntou, pela primeira vez, entidades representativas do setor, incluindo diretores clínicos, sindicatos médicos, sociedades científicas e associações.
A falta de médicos de família é uma das preocupações centrais do documento. De acordo com dados do Portal da Transparência do SNS, em março havia 1.624.358 utentes sem médico de família, mais 30.557 do que no mesmo período de 2025.
Algarve entre as regiões mais afetadas
Lisboa e Vale do Tejo é a região com maior carência, com mais de 1,1 milhões de utentes sem médico de família, seguindo-se o Algarve e o Alentejo.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse à Lusa que Portugal vive “um paradoxo” nesta área, uma vez que o número de especialistas aumentou na última década, passando de pouco mais de 6.000 em 2015 para mais de 9.000 atualmente, mas o número de utentes sem médico de família também cresceu.
Carlos Cortes apontou como “o principal motivo” para esta situação “a falta de atratividade” do SNS para várias especialidades, incluindo a Medicina Geral e Familiar.
O bastonário reconheceu ainda o impacto das aposentações, mas sublinhou que as previsões apontavam para uma estabilização em 2025 e 2026, com os novos especialistas a compensarem as saídas. “Isso é mais do que evidente que não está a acontecer”, afirmou.
Entre as propostas em discussão estão a melhoria do acesso dos utentes ao médico de família, a valorização da especialidade, a revisão dos modelos de organização dos cuidados de saúde primários e o reforço da humanização dos cuidados.
A Ordem dos Médicos defende ainda a necessidade de “revisitar” a reforma das Unidades Locais de Saúde, considerando que o modelo tem conduzido, na prática, a um SNS mais centrado nos hospitais e nas urgências.
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