Os atrasos nos aeroportos portugueses estão a provocar críticas de turistas estrangeiros, numa altura em que milhares de passageiros começam a viajar para destinos, como Lisboa e Algarve. As longas filas no controlo de fronteiras, associadas à entrada em funcionamento do novo sistema europeu de entradas e saídas, estão a causar tempos de espera superiores ao próprio voo em alguns casos.
De acordo com o jornal britânico The Sun, vários passageiros britânicos relataram dificuldades nas chegadas a Portugal, sobretudo nos aeroportos de Lisboa e Faro. As queixas multiplicaram-se nas redes sociais, com descrições de horas de espera, falhas nos equipamentos automáticos e congestionamentos nas zonas de controlo de passaportes.
Chegada que acabou em horas de espera
Uma das situações mais partilhadas envolveu uma família britânica que aterrou em Lisboa e acabou por passar quase sete horas na fila. “Na semana passada, uma família que aconselhei aterrou em Lisboa e ficou na fila durante 6 horas e 40 minutos. O filho pequeno acabou por adormecer em cima de uma mala. Perderam o transfer para o Algarve”, escreveu uma blogger de viagens no Instagram, citada pelo jornal britânico.
Segundo a mesma fonte, o novo sistema biométrico EES da UE está já operacional e está a aumentar significativamente os tempos de processamento dos passageiros. A publicação refere ainda que o aeroporto de Faro recebe, no verão, um volume de passageiros muito superior à capacidade instalada.
Faro e Lisboa sob pressão
As dificuldades não se limitam à capital. O The Sun escreve que também o aeroporto de Faro tem registado filas prolongadas, sobretudo em períodos de maior concentração de voos. Alguns passageiros relatam tempos de espera desde a zona do terminal até à área de embarque.
“Passei mais tempo na fila do que dentro do avião”, escreveu um turista britânico na rede social X, conforme a mesma fonte. Outro passageiro descreveu a experiência no aeroporto de Lisboa como “um dos piores controlos de passaportes”, apontando várias horas de espera.
Impacto do novo sistema europeu
O sistema EES, criado pela UE para reforçar o controlo biométrico de entradas e saídas de cidadãos de países terceiros, está a alterar os procedimentos nos aeroportos europeus. Sabe-se que os tempos de espera poderão ter aumentado quatro a cinco vezes em alguns pontos de controlo.
Acrescenta a publicação que metade das máquinas automáticas apresentava problemas em determinados períodos, obrigando muitos passageiros a regressar às filas tradicionais de verificação documental.
O problema do “bottlenecking”
Entre os fatores apontados para os atrasos está o fenómeno conhecido como “bottlenecking”, expressão usada para descrever congestionamentos provocados pela chegada simultânea de vários voos ou pela acumulação de passageiros em determinadas zonas do aeroporto. Segundo o jornal, este efeito faz-se sentir sobretudo nos controlos de segurança, nas áreas de recolha de bagagem e nos pontos de verificação de passaportes. Quando vários aviões aterram num curto espaço de tempo, os aeroportos têm dificuldade em responder ao aumento repentino de passageiros.
O agravamento das filas levou mesmo algumas companhias aéreas a pedir o adiamento da implementação total do sistema EES durante o verão. A Ryanair, por exemplo, defendeu a suspensão temporária das novas regras até setembro, precisamente para evitar perturbações na época alta. Segundo a mesma fonte, os atrasos não estão relacionados apenas com Portugal. Outros aeroportos europeus têm enfrentado situações semelhantes desde o reforço dos procedimentos fronteiriços.
Algarve continua no centro das viagens
Apesar das dificuldades, o Algarve continua entre os destinos mais procurados pelos turistas britânicos. O problema é que muitos passageiros acabam por começar as férias dentro das filas dos aeroportos, antes sequer de chegarem aos hotéis ou praias. O jornal britânico destaca que a duração do voo entre o Reino Unido e Lisboa ronda as três horas, o que significa que alguns turistas acabam por passar mais tempo à espera no aeroporto do que dentro do avião.
Perante o aumento das filas, começam também a surgir recomendações para minimizar o impacto das esperas. O The Sun aconselha os passageiros a escolher horários menos congestionados, preparar toda a documentação com antecedência e prever tempos adicionais nos aeroportos. Note que os períodos mais críticos coincidem normalmente com a chegada de vários voos internacionais em simultâneo, sobretudo durante os meses de verão.
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