Um homem de 52 anos recuperou a normalidade depois de 20 anos a lidar com soluços crónicos, episódios que o obrigavam a lidar regularmente com refluxo gástrico e vómitos. O caso, divulgado pela revista Frontiers in Physiology, descreve um tratamento que conseguiu eliminar por completo as crises que surgiam várias vezes por semana, mudando radicalmente a qualidade de vida do paciente.
O que levaria a décadas de soluços
De acordo com a Frontiers in Physiology, especializada em investigação médica e fisiológica, o homem sofria de soluços entre duas a três vezes por semana, com cada episódio a prolongar-se entre 10 e 30 minutos, e só cessavam normalmente durante o sono.
Nos últimos cinco anos, os episódios tornaram-se mais frequentes e intensos, sobretudo nas manhãs e após as refeições, acompanhados em algumas ocasiões por refluxo gástrico e vómitos.
O paciente procurou então ajuda no Departamento de Gestão da Dor do Hospital West China da Universidade de Sichuan.
As primeiras avaliações realizadas por gastroenterologistas revelaram inflamação crónica do estômago e múltiplas pequenas úlceras no intestino delgado. Segundo a mesma fonte, apesar de vários tratamentos experimentais, os soluços apenas diminuíam ligeiramente, sem desaparecer totalmente.
Uma intervenção inovadora
A solução surgiu através de um procedimento de radiofrequência do nervo frénico bilateral guiado por ecografia, conhecido pela sigla PNRF. No dia da intervenção, os soluços cessaram completamente, regressando apenas de forma breve e ligeira nos dias seguintes. Ao fim de três meses, os episódios tinham desaparecido por completo, com uma melhoria significativa do desconforto gástrico que acompanhava o problema.
Segundo a CUF, os soluços resultam de espasmos involuntários do diafragma e podem ser desencadeados por múltiplos fatores. Entre os mais comuns estão hábitos alimentares como comer demasiado rápido, ingerir alimentos ou bebidas muito quentes, frias ou picantes, fazer refeições pesadas, consumir álcool ou refrigerantes com gás, fumar ou situações de stress. Outros fatores menos frequentes incluem alguns medicamentos, tratamentos de quimioterapia ou procedimentos médicos sob anestesia.
O caso agora documentado evidencia a importância de novas abordagens em situações consideradas crónicas ou resistentes a terapêuticas convencionais. A Frontiers in Physiology destaca que este tipo de intervenção pode vir a representar uma alternativa eficaz para pacientes que, como este homem, convivem durante anos com um problema que limita a vida diária.
Para o homem de 52 anos, o fim dos soluços significa não apenas o desaparecimento de sintomas físicos incómodos, mas também a possibilidade de retomar rotinas interrompidas e melhorar a qualidade de vida, encerrando um ciclo de duas décadas de sofrimento.
De acordo com a CUF, este caso reforça a necessidade de avaliação médica detalhada para episódios persistentes de soluços, dado que podem estar associados a condições subjacentes mais complexas e exigir tratamentos especializados como o PNRF.
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