É uma dúvida frequente entre condutores: quando o velocímetro do carro indica um valor e o Google Maps ou o Waze mostram outro, qual deles está realmente mais perto da velocidade a que o veículo segue? A resposta, em termos gerais, é que as aplicações de navegação tendem a aproximar-se mais da velocidade real, enquanto o velocímetro do automóvel é calibrado para indicar um valor ligeiramente acima. De acordo com o ADAC, automóvel clube alemão, essa diferença é normal e resulta da forma como estes sistemas são concebidos e homologados.
O ponto central está no facto de o painel do carro não poder, por regra, indicar menos do que a velocidade real. O enquadramento europeu reproduz o Regulamento n.º 39, segundo o qual a velocidade indicada não deve ser inferior à velocidade efetiva do veículo. Ao mesmo tempo, o texto admite uma margem por excesso que pode chegar a 10% da velocidade real, acrescida de 4 km/h. Na prática, isso significa que um carro pode legalmente mostrar mais do que realmente está a fazer, mas não menos.
Porque é que o velocímetro do carro costuma marcar acima
Segundo o ADAC, os velocímetros não são instrumentos concebidos para reproduzir com exatidão absoluta a velocidade real em todos os momentos. Há uma margem técnica permitida e essa margem existe precisamente para evitar que o condutor circule mais depressa do que aquilo que vê no painel. É essa lógica que ajuda a explicar por que razão um automóvel pode mostrar, por exemplo, 114 km/h quando a velocidade efetiva é de 100 km/h.
A mesma fonte acrescenta que esta diferença está também ligada aos pneus. Alterações no desgaste, na pressão ou mesmo no perímetro de rolamento influenciam a leitura do velocímetro, porque o sistema depende da rotação das rodas e da calibração definida pelo fabricante. Foi também por isso que, nas medições citadas pela fonte, os desvios observados em cerca de 300 automóveis surgiam, na maioria dos casos, entre 2% e 6%, e não em valores extremos.
Porque é que o Google Maps e o Waze podem ficar mais perto da velocidade real
Já as aplicações de navegação em smartphone funcionam com base no sinal GPS. Em vez de dependerem do movimento das rodas, calculam a velocidade a partir da deslocação geográfica ao longo do tempo. Por essa razão, o sistema de navegação no telemóvel pode fornecer uma indicação mais precisa da velocidade própria do veículo do que o velocímetro tradicional, precisamente porque não é afetado pelo desgaste dos pneus da mesma forma.
Isto ajuda a perceber por que razão tantos condutores olham para o painel e para o ecrã do telemóvel e encontram dois números diferentes. Na maior parte dos casos, não se trata de uma falha do carro nem de um erro do Waze ou do Google Maps. O que existe é uma diferença normal entre um sistema calibrado para pecar por excesso e outro que tenta estimar a velocidade real com recurso a satélite.
O que esta diferença significa na prática
Para quem conduz, a principal conclusão é simples: o velocímetro do carro foi concebido para jogar pelo lado da prudência. Já as aplicações com GPS podem oferecer um valor mais próximo da velocidade efetiva quando o sinal está estável. Isso não significa que devam ser vistas como substitutas absolutas de todos os instrumentos do veículo, mas ajuda a explicar por que razão o número apresentado no telemóvel costuma ser inferior ao que aparece no painel.
No fundo, a divergência entre o velocímetro e o Google Maps ou o Waze não é um mistério nem um defeito inesperado. É o resultado de dois métodos de medição diferentes, enquadrados por regras técnicas claras. O painel do carro está sujeito a uma margem regulamentar que impede leituras por defeito. O GPS, por seu lado, tende a aproximar-se mais do valor real em circulação. E é precisamente dessa diferença de lógica que nasce a discrepância que tantos automobilistas notam na estrada.
















