Pôr o bebé a dormir de barriga para baixo, usar pó de talco na muda da fralda ou recorrer a andarilhos são práticas que o pediatra João Rio Martins identifica como ultrapassadas. Numa publicação na sua página de Instagram @pediatrajoao, o médico explicou como a investigação alterou conselhos transmitidos às famílias há várias décadas.
“Muitas recomendações que eram dadas há 30 ou 40 anos hoje parecem-nos estranhas. Algumas até completamente erradas. Mas eram feitas com o conhecimento disponível naquela altura”, escreveu.
Calçado rígido e andarilhos entre as mudanças
Nos cuidados com os pés, o pediatra contrapõe ao antigo uso de calçado rígido uma abordagem diferente. “Hoje privilegiamos andar descalço sempre que possível e calçado leve, flexível e adequado ao pé”, explica. A recomendação apresentada valoriza, assim, a flexibilidade e a adaptação do sapato à criança.
Também os andarilhos surgem na lista de práticas desaconselhadas. Apesar da associação destes equipamentos à aprendizagem da marcha, o especialista salienta que não antecipam essa etapa: “Hoje sabemos que não ensinam a andar mais cedo e aumentam o risco de acidentes.”
A posição para dormir e o uso de talco
Outra alteração diz respeito ao sono dos bebés. Dormir de barriga para baixo fazia parte dos conselhos antigos recordados pelo médico. Contudo, a orientação que transmite atualmente é a oposta: “Hoje sabemos que a posição mais segura para dormir é de barriga para cima.”
Na higiene, João Rio Martins destaca o pó de talco, que descreve como uma “presença habitual nos cuidados do bebé”. A utilização durante a muda da fralda deixou, porém, de ser recomendada, sobretudo devido ao risco de inalação, conforme explica na publicação.
Água antes da introdução alimentar
O quinto conselho está relacionado com a oferta de água aos bebés antes da introdução alimentar. O pediatra refere que, nos bebés pequenos, essa prática não é necessária e pode ser prejudicial, incluindo-a entre as orientações que foram revistas ao longo do tempo.
A explicação para estas mudanças passa pelo conhecimento entretanto adquirido sobre os efeitos de cada prática. “Surgiram novos estudos, percebemos melhor os riscos e os benefícios e as recomendações foram mudando”, escreve o especialista, ligando a revisão dos conselhos à investigação.
Recomendações atuais também podem ser revistas
O médico admite, por isso, que algumas orientações dadas hoje poderão ser diferentes dentro de 20 ou 30 anos. “Mudar uma recomendação perante nova evidência não é contradição. É ciência”, afirma, ao explicar por que a alteração de um conselho faz parte da evolução da medicina.
João Rio Martins é pediatra e neonatologista, tem três filhos e é responsável pela página Pediatra João, presente no Instagram e no Facebook. Para abordar estas mudanças, partilhou fotografias suas com um filtro inspirado nos anos 80, associando a tendência das redes sociais à recordação dos cuidados infantis de outras décadas.
















