Pagar com dinheiro físico continua a ser, segundo a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, o meio de pagamento com mais vantagens para o consumidor. Apesar do crescimento dos pagamentos digitais e da utilização cada vez mais frequente de cartões, aplicações e tecnologia contactless, a DECO defende que o meio de pagamento com numerário mantém um papel essencial e não deve ser afastado da vida quotidiana.
Numa nota publicada no seu site, a DECO alerta para os desafios associados aos meios digitais de pagamento e reforça que o formato com mais vantagens para os consumidores continua a ser o pagamento em dinheiro físico, ou seja, através de notas e moedas.
Consumidores têm hoje mais formas de pagar
A associação recorda que os consumidores têm atualmente à disposição vários meios de pagamento. Além do dinheiro físico, também conhecido como numerário, há cartões de débito e crédito, cheques e, de forma cada vez mais presente, canais digitais e outras soluções eletrónicas.
A evolução tecnológica trouxe mais conforto e comodidade a muitos consumidores, sobretudo pela rapidez dos pagamentos digitais. A pandemia de COVID-19 também contribuiu para acelerar essa mudança, ao incentivar o uso de meios eletrónicos, incluindo cartões com tecnologia contactless.
Ainda assim, a DECO sublinha que esta transição não deve retirar liberdade de escolha aos consumidores. Para a associação, é essencial garantir que as pessoas continuam a poder optar pelo meio de pagamento que melhor se adapta à sua realidade, em especial quando dependem de notas e moedas no dia a dia.
Numerário continua a ser o meio mais usado
Segundo a DECO, dados do Banco de Portugal indicam que o numerário continua a ser o meio de pagamento mais privilegiado pelos consumidores. Além disso, é também apontado como aquele que apresenta menor custo para quem paga.
A associação defende, por isso, que numa economia cada vez mais digital é necessário evitar a exclusão de consumidores que dependem do dinheiro físico. Idosos, pessoas com menor literacia digital ou cidadãos que vivem em zonas com menor acesso a serviços bancários podem ser particularmente afetados por uma redução da disponibilidade de numerário.
“Assim, é essencial garantir que numa economia cada vez mais digital, os consumidores dependentes de dinheiro físico não sejam excluídos e que o direito de escolha sobre o meio de pagamento a utilizar seja uma decisão individual, baseada em informação clara e adequado à sua realidade”, refere a DECO.
Governo lançou iniciativa para aproximar caixas automáticos
O tema ganhou também relevância com o lançamento da iniciativa “MULTIBANCO + Perto”, resultado de uma colaboração entre o Ministério da Economia e da Coesão Territorial, o Banco de Portugal, a SIBS e a Anafre.
Segundo a tutela, a iniciativa surge na sequência do relatório do Banco de Portugal “Avaliação da Cobertura da Rede de Caixas Automáticos e Balcões de Instituições de Crédito”, de 2022. Esse documento identificou 1.276 freguesias, correspondentes a 41% do total do país, sem serviços bancários a menos de cinco, 10 ou 15 quilómetros.
Bragança foi escolhida para o lançamento da iniciativa por ter sido identificado como o distrito mais afetado pela falta de serviços bancários. Ainda assim, o projeto poderá vir a ser alargado a outras freguesias onde a solução passe pela disponibilização de uma caixa automática à população.
Para a DECO, a defesa do numerário não significa rejeitar os pagamentos digitais, mas sim garantir que a escolha continua nas mãos do consumidor. Num país com realidades muito diferentes entre territórios e grupos de população, o acesso a notas e moedas continua a ser visto como uma questão de inclusão financeira.
Leia também: Reforma antecipada: veja quantos anos de descontos precisa para pedir a pensão mais cedo
















