A poucas horas de um dos fenómenos astronómicos mais aguardados dos últimos anos, multiplicam-se as dúvidas sobre a forma correta de observar o eclipse solar em segurança. Entre recomendações contraditórias e alertas para possíveis danos oculares, há uma pergunta que continua a surgir: será que existe algum momento em que os óculos de proteção podem ser retirados sem riscos?
De acordo com o El País, jornal espanhol especializado em informação generalista que consultou vários especialistas na área da astronomia e da observação celeste, a resposta é sim. Mas apenas numa circunstância muito específica e durante um período extremamente curto. A margem para erro é reduzida, razão pela qual os especialistas insistem que a proteção continua a ser essencial durante praticamente toda a observação do fenómeno.
A regra parece simples, mas exige atenção. Durante as fases parciais do eclipse, olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões sérias e permanentes na visão. O mesmo acontece nos eclipses anulares, em que parte do disco solar permanece sempre visível.
O instante em que a regra muda
A exceção surge apenas durante a fase de totalidade de um eclipse total do Sol. Nesse momento, a Lua cobre completamente a fotosfera solar, o que permite observar diretamente a coroa do Sol durante alguns instantes.
O astrofísico Jorge Pérez Gallego explica que, quando o eclipse atinge os 100%, a luminosidade diminui drasticamente, criando condições semelhantes às do anoitecer. É apenas nessa fase que os observadores podem retirar os óculos para contemplar o fenómeno.
Marcos Pérez Maldonado, diretor dos Museos Científicos Coruñeses, defende igualmente esta abordagem, sublinhando que quem mantiver os óculos colocados durante toda a totalidade poderá perder a parte mais impressionante do espetáculo astronómico.
Porque é preciso ter especial cuidado
Os especialistas alertam, contudo, para dois erros frequentes. O primeiro é retirar os óculos demasiado cedo, antes de o Sol estar completamente ocultado pela Lua. O segundo é voltar a colocá-los demasiado tarde.
O risco aumenta porque, após alguns segundos de escuridão, as pupilas tendem a dilatar-se. Se a luz solar intensa reaparecer subitamente sem proteção ocular, a exposição pode ser particularmente perigosa.
Por esse motivo, alguns especialistas aconselham mesmo a colocar novamente os óculos antes do final da totalidade, evitando qualquer possibilidade de exposição acidental aos primeiros raios solares que reaparecem no horizonte lunar.
Três recomendações para observar em segurança
Entre os conselhos deixados por Jorge Pérez Gallego está a observação atenta da evolução do eclipse. Quem estiver a olhar diretamente para o Sol com os óculos colocados perceberá o momento em que o disco solar desaparece completamente. Quando isso acontecer, poderá retirar a proteção.
Outra possibilidade é prestar atenção ao ambiente em redor. À medida que a totalidade se aproxima, a luz ambiente diminui de forma evidente. Quando a escuridão se instalar por completo, e depois de confirmar que o fenómeno atingiu efetivamente a totalidade, será possível observar o eclipse a olho nu durante esse breve intervalo.
Para evitar enganos, o especialista sugere ainda que os observadores consultem antecipadamente a duração exata da totalidade na zona onde se encontram. Um cronómetro pode ajudar a antecipar o regresso da luz e garantir que os óculos são recolocados a tempo.
O eclipse solar de 12 de agosto deverá prolongar-se durante cerca de duas horas, com início por volta das 18h30 e fim próximo das 20h30. O momento de máximo está previsto para cerca das 19h30. Segundo a National Geographic Portugal, a fase de totalidade terá uma duração inferior a 30 segundos em muitas das zonas abrangidas pelo fenómeno.
A mesma fonte recorda que, assim que surgir o chamado efeito de anel de diamante, provocado pelo reaparecimento da luz solar, os óculos devem ser colocados novamente de imediato. Nos eclipses parciais e anulares, essa oportunidade nunca existe, o que significa que a proteção deve ser mantida durante toda a observação.
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