Durante o último fim de semana, enquanto grande parte de Portugal continental enfrentava temperaturas elevadas e céu limpo, o cenário foi bastante diferente no litoral norte. O calor deu lugar a uma imagem incomum e, para muitos, assustadora, a que se dá o nome de “nuvem tsunami”.
Quem se encontrava na Praia de Buarcos, na Figueira da Foz, foi surpreendido por uma formação atmosférica invulgar, que gerou confusão e alguma inquietação entre os banhistas.
O que apareceu no céu do norte
De acordo com o New York Post, uma enorme nuvem escura, com o formato de uma onda, aproximou-se da costa, provocando uma reação imediata entre quem se encontrava na praia. O fenómeno, que à distância parecia um “tsunami atmosférico”, gerou vídeos virais nas redes sociais e obrigou algumas pessoas a abandonar o areal.
Segundo a publicação americana, a nuvem avançou sobre o mar e foi ganhando dimensão, bloqueando o sol e levantando vento à medida que chegava à zona balnear. As imagens captadas mostram chapéus de sol a voar e banhistas a procurar abrigo.
Um fenómeno raro, mas natural
Acrescenta a mesma fonte que a formação em causa é designada por “nuvem arcus”, ou “nuvem tsunami”. Trata-se de um fenómeno raro em Portugal, mas que não representa perigo imediato para as populações. Estas nuvens surgem quando há uma diferença acentuada de temperatura e humidade entre o ar do mar, mais frio, e o ar quente vindo do interior.
Outras praias afetadas pelo fenómeno
A Praia de Buarcos não foi a única a ser afetada. O mesmo fenómeno foi observado em locais, como a Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Torreira e Figueira da Foz.
As condições meteorológicas nesse dia incluíram calor intenso, o que contribuiu para a formação deste tipo de nuvem. Escreve o jornal que as massas de ar frio provenientes do mar, ao entrarem em contacto com o ar quente em terra, deram origem à estrutura característica da nuvem rolo.
Reações nas redes sociais e no terreno
Segundo o site Meteo Trás-os-Montes-Portugal, foram muitos os relatos de surpresa e de susto partilhados nas redes sociais. Alguns utilizadores enviaram imagens e vídeos para a página do Facebook do site, onde se mostravam impressionados com o que tinham presenciado.
“Foi assustador”, comentou um internauta. Outro relatou: “Parecia um filme. Pensámos que podia ser um tsunami”.
Especialistas esclarecem o fenómeno
De acordo com o portal Contacto, Francisco Rodrigues, geógrafo físico e cientista do ambiente do site meteorológico Best Weather, explicou que estas nuvens se formam quando massas de ar frio mais densas deslizam por baixo do ar quente, criando uma corrente horizontal que gera a nuvem em forma de rolo.
Apesar do aspeto ameaçador, o fenómeno não representa perigo. O vento pode levantar alguns objetos leves, mas não há registo de danos materiais ou feridos.
Condições muito específicas
Sublinha a mesma fonte que é necessária uma conjugação muito específica de condições para que se forme uma “nuvem tsunami”. O especialista comparou o fenómeno à sensação de abrir a porta de casa num dia de inverno rigoroso: o ar frio entra de forma rápida e com força, criando uma corrente semelhante à que origina estas formações. Francisco Rodrigues acrescenta que, em Portugal, este tipo de ocorrência é pouco comum, mas que poderá repetir-se se estiverem reunidas as mesmas condições atmosféricas.
Uma memória de verão ‘difícil’ de esquecer
Apesar de não haver consequências graves a registar, o episódio deixou uma marca no verão de quem estava nestas praias. O contraste entre o calor extremo sentido no país e a imagem de uma massa escura e imponente a avançar pelo céu marcou o último fim de semana.
Segundo o New York Post, o fenómeno provocou mais curiosidade do que estragos, mas sublinha a importância de conhecer e compreender os mecanismos naturais que, por vezes, se manifestam de forma invulgar. No antigo Twitter houve quem tivesse escrito que a tarde de praia em que o fenómeno ocorreu “foi uma loucura”.
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