Os próximos dias deverão trazer uma combinação de calor intenso, vento e instabilidade à Península Ibérica. Segundo a Luso Meteo, uma depressão de origem térmica poderá favorecer trovoadas, precipitação forte em curtos períodos e rajadas muito intensas, enquanto algumas regiões de Portugal continental poderão ser atingidas por fenómenos convectivos mais severos.
Depressão pode trazer vento muito forte
Uma depressão de origem térmica sobre a Península Ibérica deverá ser um dos principais fatores de instabilidade nos próximos dias. Segundo a Luso Meteo, esta baixa pressão poderá gerar um gradiente de pressão elevado, sobretudo durante as tardes, criando condições favoráveis à ocorrência de rajadas fortes associadas a células convectivas.
As simulações de alta resolução, nomeadamente do modelo AROME, apresentam os cenários mais agressivos em Espanha, onde algumas rajadas poderão ultrapassar pontualmente os 80 ou mesmo os 100 km/h. Em Portugal, o risco deverá ser menor e mais localizado. Ainda assim, o Luso Meteo não exclui fenómenos semelhantes no Interior Norte e Centro, especialmente durante o final da tarde de sábado e novamente no domingo.
Segunda-feira pode trazer chuva intensa, granizo e trovoadas mais a sul
A instabilidade poderá intensificar-se e deslocar-se para regiões mais a sul na segunda-feira. Nesse dia, poderão formar-se fenómenos convectivos pontualmente mais intensos, acompanhados por rajadas fortes, granizo e precipitação intensa em períodos curtos.
Por se tratar de fenómenos muito localizados, não é possível determinar com vários dias de antecedência exatamente quais as localidades que poderão ser atingidas com maior intensidade. A evolução destas células terá, por isso, de ser acompanhada mais perto do momento, através das previsões de curto prazo.
Há ainda possibilidade de trovoadas secas
Outro fator destacado pela Luso Meteo é a presença de ar muito seco junto à superfície. Apesar da possibilidade de precipitação associada às trovoadas, algumas células poderão produzir pouca chuva e, ao mesmo tempo, um número elevado de descargas elétricas. Este cenário favorece a ocorrência de trovoadas secas, particularmente preocupantes numa altura em que a vegetação se encontra muito seca.
Calor também vai apertar e pode chegar aos 43 ºC
A instabilidade não será o único fenómeno a marcar os próximos dias. O calor deverá voltar a intensificar-se em Portugal continental durante o fim de semana. Depois de uma descida temporária das temperaturas máximas, os termómetros deverão começar novamente a subir, inicialmente com maior destaque para o litoral Norte.
No domingo, o calor deverá tornar-se mais generalizado, com vários locais a aproximarem-se ou mesmo a atingir os 40 ºC. Desta vez, os valores muito elevados não deverão ficar limitados ao interior. Também no litoral Norte e Centro poderão ocorrer máximas bastante acima do habitual, com anomalias que poderão aproximar-se localmente dos 10 ºC relativamente aos valores normais para esta época do ano.
Segunda-feira deverá ser o dia mais quente
A segunda-feira, 17 de agosto, poderá representar o pico deste episódio de calor. De acordo com a Luso Meteo, o modelo norte-americano GFS chega a admitir temperaturas próximas dos 45 ºC em algumas zonas. Numa leitura mais conservadora e tendo também em conta o modelo europeu ECMWF, poderão verificar-se valores na ordem dos 43 ºC nos vales do Mondego e do Tejo.
Estas deverão estar entre as regiões mais quentes de Portugal continental. No litoral Norte e Centro, as temperaturas também poderão aproximar-se dos 40 ºC, embora junto ao mar os valores devam ser um pouco mais baixos. O calor deverá manter-se durante terça-feira, começando depois a perder intensidade.
Combinação agrava preocupação com os incêndios
A conjugação de temperaturas muito elevadas, noites quentes, baixa humidade, vento forte e instabilidade atmosférica poderá criar condições particularmente desfavoráveis no que respeita ao risco de incêndio rural. A vegetação encontra-se muito seca nesta altura do verão e a eventual ocorrência de trovoadas com pouca precipitação poderá aumentar ainda mais o perigo.
Em Espanha, esta combinação poderá revelar-se especialmente severa. Em Portugal, o Luso Meteo alerta igualmente para um período que merece atenção, sobretudo nas zonas onde coincidirem calor intenso, vento e atividade elétrica.
Modelos começam a mostrar mudança na segunda quinzena de agosto
Depois deste período de calor e instabilidade, os modelos começam também a apresentar sinais de uma possível alteração do padrão atmosférico. Segundo a Luso Meteo, poderá desenvolver-se uma crista anticiclónica no Atlântico, enquanto o anticiclone dos Açores poderá perder alguma força e deslocar-se mais para oeste e norte.
Esta configuração tende a favorecer uma maior influência marítima sobre Portugal, geralmente associada a mais vento e temperaturas mais moderadas. Entre aproximadamente 19 e 23 ou 24 de agosto, alguns cenários apontam ainda para uma probabilidade crescente de estabelecimento de uma fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida como NAO negativa.
Algumas projeções indicam uma probabilidade próxima dos 50% para esta configuração, que poderá favorecer uma circulação atlântica mais ativa. Isso não significa, contudo, que esteja garantido um período de chuva generalizada em Portugal. A mudança poderá traduzir-se apenas em alguns dias mais frescos, ventosos e com maior influência atlântica.
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