Um sismo pode apanhar um condutor em plena estrada, deixando a sensação de que o automóvel está a perder estabilidade ou de que existe algum problema no piso. Numa situação destas, a prioridade é evitar movimentos bruscos, encontrar um local seguro para imobilizar o veículo e perceber os perigos que podem surgir à sua volta. As recomendações em Portugal indicam também que, depois de parar, o mais seguro é geralmente permanecer no interior do automóvel enquanto durar o abalo.
Mas há outra questão que pode surgir depois de o perigo passar: se o sismo danificar o carro, será que o seguro paga a reparação? Em Portugal, a resposta depende das coberturas contratadas. O seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, por si só, não serve para pagar os danos sofridos pelo próprio veículo devido a um fenómeno natural.
Como agir se estiver a conduzir durante um sismo?
De acordo com as recomendações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), se um sismo o surpreender ao volante deve procurar parar no local mais seguro possível, preferencialmente numa área aberta. A escolha do local é particularmente importante, uma vez que o maior perigo pode não estar no próprio movimento do solo, mas na queda ou no colapso de estruturas próximas.
Assim, deve evitar imobilizar o automóvel junto a edifícios, muros, taludes, torres ou postes, devido ao risco de queda de objetos ou desmoronamentos. O IPMA recomenda ainda que não pare nem se dirija para pontes, viadutos ou passagens subterrâneas enquanto decorre o abalo.
A Câmara Municipal de Lisboa, nas suas recomendações de prevenção e autoproteção para sismos, dá uma indicação semelhante: quem estiver a conduzir deve parar num espaço aberto e permanecer dentro do veículo. A carroçaria pode oferecer alguma proteção contra pequenos objetos ou destroços que caiam nas proximidades, desde que o automóvel tenha sido imobilizado numa zona segura.
Deve continuar a conduzir depois de o sismo terminar?
Mesmo depois de deixar de sentir o solo a tremer, retomar imediatamente a viagem pode não ser a melhor opção. Um sismo pode provocar danos no pavimento, quedas de estruturas, fios elétricos no chão ou problemas em pontes e viadutos, pelo que é importante observar primeiro o que se passa à sua volta e seguir as informações divulgadas pelas autoridades.
Também é necessário contar com a possibilidade de réplicas. A Proteção Civil recomenda que, depois de um sismo, sejam seguidas as indicações oficiais e que as ruas sejam mantidas tão livres quanto possível para permitir a circulação das viaturas de socorro. Circular apenas para observar os estragos pode aumentar o risco e dificultar o trabalho das equipas de emergência.
Se estiver numa zona costeira, existe ainda outro risco a considerar. Após um sismo forte, sobretudo se o abalo tiver sido sentido durante bastante tempo, pode existir perigo de tsunami, pelo que devem ser cumpridos eventuais avisos das autoridades e procuradas zonas mais elevadas e afastadas da frente ribeirinha ou marítima quando tal for recomendado.
Seguro automóvel cobre os danos provocados?
Ter um seguro automóvel válido não significa automaticamente que os danos causados pelo sismo ao próprio carro estejam cobertos. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) explica que o seguro obrigatório assegura essencialmente indemnizações relativas a danos corporais e materiais causados a terceiros e às pessoas transportadas, dentro dos limites e condições legalmente previstos.
Para os estragos sofridos pelo próprio automóvel, será necessário verificar as coberturas facultativas contratadas. A ASF esclareceu em 2026 que as coberturas relacionadas com fenómenos da natureza não são obrigatórias e não costumam integrar as coberturas base do seguro automóvel. A entidade refere igualmente que a cobertura de fenómenos sísmicos é facultativa, pelo que tudo depende do contrato celebrado com a seguradora.
Isto significa que mesmo quem tem um seguro habitualmente conhecido como “contra todos os riscos” não deve assumir que qualquer dano provocado por um sismo está automaticamente incluído. Esta expressão não corresponde a uma cobertura universal: é necessário consultar as condições particulares e especiais da apólice e confirmar quais são os fenómenos da natureza abrangidos, bem como eventuais franquias, limites e exclusões.
Quem paga os danos se uma fachada ou árvore cair sobre o carro?
Imagine, por exemplo, que o automóvel está estacionado e, devido ao sismo, parte de um edifício cai sobre o veículo. Ou que ocorre um deslizamento de terras que o danifica. Para saber se a seguradora paga a reparação, será necessário determinar se a apólice inclui uma cobertura aplicável ao fenómeno que originou os estragos. A ASF recomenda expressamente que os consumidores confirmem se o seguro automóvel inclui fenómenos da natureza e quais os danos efetivamente abrangidos.
Em Portugal, não existe atualmente para os automóveis um sistema equivalente ao Consórcio de Compensação de Seguros espanhol, que assuma de forma geral este tipo de danos extraordinários. O Governo português prevê desenvolver um Fundo de Catástrofes Naturais e Sísmicas e rever o regime de seguros para catástrofes, mas a medida aprovada em 2026 aponta para um desenvolvimento a médio prazo e centra a futura obrigatoriedade da cobertura sísmica sobretudo nas habitações.
Saiba como proceder se o carro ficar danificado após um sismo
Se verificar danos no automóvel depois do sismo, deve registar os estragos, através de fotografias ou outros elementos que permitam demonstrar o estado do veículo, e contactar a seguradora para participar o sinistro e confirmar as coberturas aplicáveis.
Segundo a ASF, a participação deve conter as informações relevantes para permitir a análise do sinistro e a avaliação dos prejuízos.
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